CMP faz primeira reunião do ano e aponta os principais desafios para 2021

A Central de Movimentos Populares (CMP) realizou nesta quinta-feira (14) a primeira reunião deste ano de sua direção nacional. O objetivo do encontro foi debater a conjuntura e apontar as prioridades da entidade para 2021. Para contribuir com a análise dos principais problemas do Brasil e desafios dos movimentos populares, a entidade convidou o ex-ministro do governo Dilma, Aloizio Mercadante. O fortalecimento da agenda pelo impeachment do presidente Bolsonaro, o alerta para o risco de um golpe e a restituição dos direitos políticos do presidente Lula foram temas debatidos na reunião.

Durante o encontro, a conquista do auxílio emergencial no ano passado foi considerada como uma das vitórias dos movimentos sociais e partidos de esquerda para fazer frente às dificuldades enfrentadas pela população em situação de vulnerabilidade, mas o fim do auxílio para este ano foi duramente criticado pela direção nacional da CMP. Sem ele, milhões de pessoas serão condenadas à fome. Mercadante disse que o auxílio emergencial foi fundamental, mas com o fim do benefício em dezembro, “iremos para um abismo social. O povo vai encontrar uma situação em que a pandemia está voltando, o risco de vida está aumentando, as pessoas estão mais expostas. A fome vai bater pesado na periferia e junto com a fome, a violência ligada à miséria e à pobreza”, analisou o ex-ministro.

“O auxílio emergencial foi o que garantiu a sobrevivência de milhões de pessoas. Agora precisamos instituir uma renda básica permanente para o povo sem emprego e sem renda. Estamos falando em manutenção da vida”, afirmou Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP.

A luta pela vacinação já, gratuita para todas e todos foi apontado como uma das lutas prioritárias da CMP para o início de 2021. O ex-ministro Mercadante avaliou esta luta como “questão central” e que “o governo não planejou, não coordenou e não tem sequer competência para isso”. Sobre a disputa entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente Bolsonaro a respeito da vacina, Mercadante disse que “é uma leviandade, irresponsabilidade absurda”.

Outras bandeiras de lutas da CMP apontadas na reunião e que vão caminhar em paralelo com a Renda Básica Permanente e a vacinação serão o combate ao racismo, à violência contra a mulher, contra a juventude negra e a população LGBTIQ+, bem como a denúncia do desmatamento na Amazônia, a destruição do meio ambiente e a invasão das terras indígenas e quilombolas. Para a área da habitação, a direção nacional elencou a necessidade de um programa de construção de moradias populares, melhorias, urbanização e regularização fundiária.

Os membros da direção nacional deliberaram também pela necessidade de um programa emergencial de produção de alimentos para enfrentar a fome, especialmente nas periferias urbanas. Para propiciar a geração de emprego e renda, foi defendido um programa de obras públicas, como construção de creches, escolas, hospitais, centros culturais. Além das construção de obras públicas, a CMP defende que a geração de empregos também passa por concessão de crédito barato para o pequeno e médio empresário”.

A taxação de grandes fortunas, tema de uma grande campanha lançada no ano passado pelas Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, da qual da CMP faz parte, é outra bandeira de luta apontada pela CMP, como forma de distribuição das riquezas, combate à desigualdade social e investimento em políticas sociais. O tema fez parte da intervenção de Mercadante que disse que “não há saída para a crise se não taxarmos os hiper ricos. Precisamos colocar essa questão da taxação dos ricos, das grandes fortunas, das grandes heranças, dos ganhos de capital como questão central da luta política”, defendeu.

Além de todos os desafios apontados pela CMP que envolvem o enfrentamento à ultradireira, ao projeto ultraneoliberal em processo no país, os retrocessos nos direitos sociais, a luta pelo Impeachmnet de Bolsonaro, a restituição dos direitos políticos do ex-presidente Lula, a direção da entidade deliberou intensificar em 2021 ações voltadas para questão organizativa, formação política, comunicação e mobilização. A CMP e Fundação Perseu Abramo se comprometeram a realizar nos próximos dias uma reunião para firmar uma parceira na área da formação política e comunicação.

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