CMP se despede de Papa Francisco: um pontificado marcado pelo compromisso com os pobres e os movimentos sociais

A Central de Movimentos Populares (CMP) se une às vozes do mundo  para se despedir de um Papa que marcou profundamente a história da Igreja e das lutas sociais: Francisco, o primeiro pontífice latino-americano e franciscano, deixou um legado de simplicidade, coragem e compromisso com os empobrecidos e excluídos do mundo.

Ao longo de seu pontificado, dirigentes e lideranças da CMP tiveram a honra de participar de três encontros presenciais com o Papa Francisco – e um virtual, por conta da pandemia da covid-19 -, em momentos históricos que reafirmaram a importância do diálogo entre a Igreja e os movimentos populares.

O primeiro encontro aconteceu em outubro de 2014, em Roma, quando centenas de representantes dos cinco continentes se reuniram no Vaticano para discutir a realidade dos trabalhadores pobres. A CMP, representada por dirigentes e lideranças, presenciou um dos momentos mais emblemáticos do pontificado:

“Acompanho-vos de coração neste caminho. Digamos juntos de coração: Nenhuma família sem teto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, ninguém sem a dignidade que o trabalho proporciona”, declarou o Papa, emocionando os participantes.

Em julho de 2015, o segundo encontro foi realizado em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e ganhou repercussão mundial. Em seu discurso, Francisco denunciou o consumismo, o colonialismo midiático e chamou o capitalismo de “ditadura sutil”.

“Está nas mãos dos movimentos sociais a saída para que os excluídos tenham trabalho, teto e terra”, afirmou, colocando nas mãos do povo o protagonismo da transformação social.

Ainda na Bolívia, reforçou seu apelo não apenas pelos “3 T” – Terra, Trabalho e Teto – mas também pela defesa da Mãe Terra, em alusão à urgência da justiça ambiental.

“Um dos pedidos do Papa pra gente foi: façam a luta pelos 3 T, mas também pela defesa da Mãe Terra”, recorda Eduardo Cardoso, então presidente nacional da CMP e presente em todos os encontros com Francisco.

O terceiro encontro aconteceu em novembro de 2016, novamente no Vaticano. Para Eduardo Cardoso, a postura de Francisco foi histórica:

“Uma atitude muito importante porque, em dois mil anos da história da Igreja, é a primeira vez que um Papa chama os movimentos sociais para dialogar. Isso é um gesto importante porque estamos acostumados com uma cultura em que a gente só escuta. E o diálogo é a melhor forma de promover mudança, com ele você pode construir caminhos diversos”, lembrou Cardoso.

Legado do Papa Francisco para os movimentos populares/sociais

Os encontros realizados entre os movimentos populares e sociais com o Papa Francisco representaram um marco na relação com a  Igreja Católica. Francisco abriu as portas do Vaticano para ouvir catadores, sem-terra, indígenas, moradores de favelas, migrantes e tantos outros marginalizados. Ali foram debatidos, sob a perspectiva dos mais pobres, temas como o direito à moradia, à terra, ao trabalho digno e à preservação do meio ambiente.

Durante todo o seu pontificado, o Papa denunciou a “economia que mata” e a cultura do descarte, propondo uma nova economia, a serviço da vida e da dignidade humana. Ele não apenas falou sobre uma “Igreja pobre para os pobres” – ele a viveu. Desde sua escolha por viver na Casa Santa Marta até suas visitas a periferias, prisões e campos de refugiados, foi coerente com o Evangelho que pregava.

O legado de Francisco permanecerá como um chamado profético para uma Igreja em saída, que caminha junto com os mais vulneráveis, que se compromete com a justiça social e que não teme sujar os pés de lama ao lado do povo.

Seu exemplo de humildade, coragem e opção preferencial pelos pobres continuará a inspirar os movimentos populares, os cristãos e todas as pessoas de boa vontade que sonham com um mundo mais justo, fraterno e solidário.

Papa Francisco, presente! Viva os 3 T! Viva a Mãe Terra!

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