Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, a Central de Movimentos Populares reafirma que não há motivo para comemorar. O Brasil e o mundo seguem em alerta diante do avanço das mudanças climáticas – e são as populações mais vulneráveis que pagam o preço mais alto pela devastação ambiental.
Enchentes, queimadas, calor extremo, insegurança alimentar e colapso nos serviços públicos atingem com mais força quem vive nas periferias urbanas, comunidades ribeirinhas, áreas de mananciais e territórios indígenas. São esses grupos que menos contribuíram para a destruição ambiental, mas que sofrem de forma desproporcional com suas consequências – tendo casas soterradas, alagadas, respirando ar poluído ao lado dos lixões e, ainda, em muitos casos, convivendo com o esgoto a céu aberto e com a negligência do Estado.
Em 2025, o Brasil sediará a COP30 em Belém, e os chefes de Estados, a maioria dominado por grandes grupos econômicos e empresas destruidoras do meio ambiente e responsáveis pelo aquecimento global, estarão reunidos para debater a questão do clima. Mas até quando os de sempre falarão em nosso nome? Até quando os que lucram com a destruição da natureza vão ditar os rumos do clima? Ou melhor, negando a gravidade da emergência climática? Em um cenário de agravamento da emergência climática, não basta prometer: é preciso cumprir os acordo já celebrados em conferências anteriores.
A CMP exige que a COP30 seja um espaço de escuta e protagonismo popular. Estamos nas ruas, nas favelas, nos territórios tradicionais e nas florestas – e é com a nossa voz que se deve construir a justiça climática.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, marcamos presença em atividades importantes, como:
🔹 No Seminário “Justiça Climática e Saúde nas Periferias”, promovido pela Fiocruz, Ministério da Saúde e Secretaria-Geral da Presidência. A CMP teve destaque com a experiência da Ilha do Combu, em Belém (PA). Lá, 45 famílias atendidas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida Rural. Há três meses, moradores enfrentaram efeitos diretos da crise climática — enchentes que destruíram suas casas e colocaram suas vidas em risco. A CMP faz um trabalho permanente de acompanhamento dessas famílias na ilha.

🔹 Também participamos da marcha das mulheres, promovida pelo MAB, em Brasília, contra o “PL da Devastação”. As mulheres estão na linha de frente da resistência e são as mais impactadas pela crise ambiental. São elas que carregam nas costas o cuidado com as famílias, a produção de alimentos e a luta pela permanência no território. Hoje, fomos às ruas denunciar esse projeto que ameaça o futuro dos nossos biomas e das próximas gerações.

A justiça climática só será possível com justiça social, combate à fome e desigualdade social, de gênero e raça. A transformação precisa partir dos territórios, das margens e das comunidades que sempre defenderam e dependeram da natureza.