CMP participa da Conferência de SP e debate propostas para cidades e crise climática

A Central de Movimentos Populares (CMP) participou ativamente da 7ª Conferência Estadual das Cidades de São Paulo, realizada nesta sexta (28) e sábado (29), no auditório do Memorial da América Latina, na capital. O evento reuniu cerca de 2 mil participantes de diversos segmentos da sociedade, como sindicatos, organizações não governamentais, movimentos sociais e populares, setor empresarial e poder público.

Após o adiamento do calendário nacional em 2023, em razão da tragédia climática no Rio Grande do Sul, as conferências municipais foram retomadas em janeiro deste ano e mobilizaram centenas de cidades paulistas até o início de junho. A etapa estadual consolidou esse processo democrático, com a construção coletiva de propostas voltadas para habitação, mobilidade urbana, saneamento básico, infraestrutura e outras políticas públicas urbanas.

“Foi um momento importante de escuta e construção. Conseguimos reunir milhares de pessoas com compromisso real com a transformação das cidades. Levamos as prioridades vindas dos municípios e discutimos o texto-base da conferência, com propostas concretas para orientar as políticas públicas no plano federal”, afirmou Miriam Hermógenes, coordenadora estadual da CMP em São Paulo.

Miriam HermoHermógenes – coordenadora estadual da CMP-SP

No sábado, a plenária final elegeu os delegados e delegadas que representarão o estado na etapa nacional, prevista para outubro em Brasília. Os movimentos sociais estiveram presentes com força: dos 271 delegados e delegadas eleitos por entidades, elegeram 60 vagas. Foram apresentadas cinco chapas, representando a CMP com a eleição de 13 delegados e delegadas, a  UMM com 14, o MTST com 20, a CONAM com 8  e a  Diversidades com mais 5 cadeiras. 

“A nossa expectativa é de que a Conferência Nacional seja um espaço potente de debate e formulação. Queremos contribuir com propostas que promovam cidades mais justas, com acesso à moradia digna, mobilidade acessível e infraestrutura adequada para toda a população. Esse é o compromisso da CMP e dos movimentos sociais”, destacou Miriam.

Durante a conferência estadual, também foi aprovada uma moção de repúdio ao Congresso Nacional, que derrubou o veto presidencial ao projeto que previa a cobrança de IOF sobre grandes fortunas. Para a CMP, a decisão prejudica os trabalhadores e protege os mais ricos.

“Não podemos aceitar que os trabalhadores continuem arcando com o peso da carga tributária enquanto os milionários são poupados. Defendemos a taxação das grandes fortunas e a redução do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Também apoiamos a jornada de trabalho 6×1. Fizemos esse debate na conferência e seguiremos lutando em todos os espaços, inclusive por meio do plebiscito popular que vamos realizar nos próximos meses”, concluiu Miriam Hermógenes.

Confira abaixo a carta de moção apresentada na Conferência:

Moção de repúdio

Maioria do congresso é contra o povo 

Nós, delegados e delegadas, da 7ª Conferência Estadual das Cidades Paulista, denunciamos a sabotagem sistemática praticada pela maioria dos deputados e senadores contra  o povo. Ao mesmo tempo em que impede a cobrança de impostos dos mais ricos como no caso do IOF, aumentam o número de deputados, o que gera mais gasto desnecessário que deveriam ser direcionado para as políticas públicas. São 860 bilhões de reais de isenção para os super-ricos, 53 bilhões de reais de emendadas parlamentares. Eles querem ajuste fiscal em cima dos trabalhadores (as) e o povo mais empobrecido, livrando o andar de cima de pagar imposto. 

Não precisamos de isenção para os super-ricos. 

Não precisamos de mais deputados. 

Não precisamos de emendas parlamentares sem transparência. 

Precisamos de mais recursos para serem investidos na construção de cidade justas, do ponto de vista econômico, social e ambiental. 

Exigimos o fim da redução da jornada de trabalho sem redução de salário e o fim da escala 6×1. Exigimos que o congresso aprove a isenção do IR para quem ganha até 5 mil reais por mês. 

São Paulo, 29 de Julho de 2025.

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