NOTA DE REPÚDIO – CENTRAL DE MOVIMENTOS POPULARES (CMP)

A Central de Movimentos Populares (CMP) repudia os ataques contra ônibus na cidade de São Paulo e na região do Grande ABC, que desde o dia 12 de junho têm causado medo, prejuízos e impactos diretos à vida da população trabalhadora, especialmente àquelas e àqueles que dependem diariamente do transporte público para viver.

A prisão de Edson Aparecido Campolongo, funcionário público concursado da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), ligado ao governo estadual, comandado por Tarcisio de Freitas,  revela a gravidade e a dimensão política desses atos criminosos. O uso de um carro oficial do governo de São Paulo para cometer pelo menos 17 desses atentados não pode ser tratado como caso isolado. Causa enorme preocupação que um servidor com acesso a informações sensíveis e a autoridades do alto escalão estadual tenha se envolvido diretamente nesses atos, motivado por ódio, ideias extremistas e declarações de que pretendia “provocar o caos para salvar o país”.

Cabe lembrar que o governador Tarcísio de Freitas tem se aliado politicamente à família Bolsonaro, herdeira direta do projeto de destruição democrática iniciado em 2018, e recentemente defendeu os ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil – uma postura inadmissível por ameaçar a nossa soberania nacional. Essa conivência com discursos e práticas autoritárias enfraquece a democracia, estimula o extremismo e legitima ações como as que estamos presenciando.

Além disso, esse episódio escancara o avanço da radicalização política violenta alimentada pelo ódio, pelo antidemocratismo e pela impunidade. É inaceitável que servidores públicos, com salários pagos pelo povo, ajam para sabotar a cidade e atacar serviços essenciais. A CMP exige que todos os vínculos, conexões e eventuais cúmplices dentro da estrutura do Estado sejam investigados com rigor.

Não se trata apenas de um caso de segurança pública. Trata-se da contaminação,  da administração pública por agentes que operam com a lógica do terror político. É urgente que o governo de Tarcísio de Freitas se pronuncie, assuma a responsabilidade institucional pelo ocorrido e colabore com transparência nas investigações.A CMP defende a democracia, o Estado de Direito e a vida das pessoas. Não aceitaremos que a política do medo e da violência se naturalize em nosso cotidiano. É preciso enfrentar a raiz desses crimes com firmeza: combater a intolerância, o extremismo e todas as formas de autoritarismo que ameaçam a sociedade.

Central de Movimentos Populares (CMP)
23 de julho de 2025

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