A Central de Movimentos Populares (CMP) participou nesta terça-feira (12) da barqueata que marcou a abertura da Cúpula dos Povos, em Belém do Pará. O ato fluvial, realizado na Baía do Guajará, reuniu milhares de manifestantes em defesa da Amazônia, dos povos da floresta e da justiça climática, dando início ao encontro internacional da sociedade civil que ocorre em paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30).
Cerca de 200 embarcações participaram do trajeto de sete milhas náuticas entre a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Vila da Barca, uma das regiões mais vulneráveis da capital paraense. O ato foi um verdadeiro manifesto fluvial, com cantos, cartazes e faixas que expressaram as lutas das populações que vivem e resistem nas águas e florestas amazônicas. Ao lado de organizações como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Marcha Mundial das Mulheres, a União Nacional por Moradia Popular e diversos movimentos sociais e populares, a CMP marcou presença desde as primeiras horas da manhã, e mais um dia de luta pelo direito à cidade e da transição climática justa.
Para o coordenador nacional da CMP, Raimundo Bonfim, estar nas ruas e nas águas no início da Cúpula dos Povos é um gesto político de unidade e resistência.“A CMP não poderia estar em outro lugar neste momento. Estamos aqui junto com os movimentos populares, indígenas, quilombolas, ribeirinhos e urbanos, em defesa da floresta, das águas, dos rios e das cidades. A nossa luta é por uma cidade justa, que possa se desenvolver do ponto de vista econômico, social, cultural e ambiental”, afirmou.

Bonfim ressaltou que a crise climática é resultado direto do capitalismo com seu modelo de produção e consumo.
“O capitalismo destrói a natureza, gera pobreza, fome e violência. É preciso superar esse sistema que envenena os alimentos, mata nossos rios e agrava as tragédias climáticas. Defendemos a taxação dos bilionários para financiar políticas públicas de preservação ambiental e de combate à fome e à miséria”, completou.
A Cúpula dos Povos segue até domingo (16), na Universidade Federal do Pará, com uma ampla programação estruturada em seis eixos temáticos, entre eles justiça climática, transição justa e direitos territoriais. O evento reúne cerca de 15 mil participantes e mais de 200 atividades paralelas, organizadas por movimentos sociais e organizações de 62 países.
Entre as iniciativas, a CMP realiza nesta quinta-feira (14) o Seminário “COP30 – Por cidades e transição climática justas”, no ginásio da Cesp, na Avenida Pedro Miranda, em Belém.
Inspirada nas experiências das conferências populares desde a Rio-92, a Cúpula dos Povos se coloca como contraponto à conferência oficial da ONU, priorizando os debates sobre vidas, direitos e territórios. Ao final do encontro, será entregue ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, a Carta de Declaração dos Povos, com propostas e reivindicações da sociedade civil.
O encerramento, marcado para domingo (16), contará com um grande banquetaço na Praça da República, com alimentos da agricultura familiar, simbolizando o compromisso da mobilização com a soberania alimentar e o direito à vida digna nos territórios. Veja aqui programação completa:






