CMP realiza seminário na Cúpula dos Povos e reforça agenda por cidades e transição climática justas

A Central de Movimentos Populares (CMP) realizou, nesta quinta-feira (13), o seminário “COP30 – Por cidades e transição climática justas”, no Ginásio da Cesep, em Belém do Pará. A atividade integrou a programação da Cúpula dos Povos e reuniu militantes de todo o país, lideranças sociais, pesquisadores e representantes do governo para debater justiça climática e o enfrentamento ao modelo capitalista de produção e consumo, responsável pela destruição da natureza, das águas e das cidades.

O seminário fez parte do processo de construção coletiva do documento final da Cúpula dos Povos, que será entregue à presidência da COP30 neste domingo (16). A mesa contou com a presença de: Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP; Rosinha, dirigente nacional e integrante da coordenação estadual CMP/PA; Maria Marise Dutra, professora da Universidade do Estado do Pará (UEPA); Wagner Martins, da Fiocruz Brasília; Paulo Cohen, da direção nacional da CMP; Silvia Rodrigues Rosa, da Biojóias do Combú; Liciane Andrioly, da coordenação do MAB/SP; Clara Weichelt, da Misereor; Yuri Paulino, do MAB/PA; e Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

Participação expressiva e construção coletiva

Na abertura do encontro, Raimundo Bonfim destacou a presença de 254 militantes da CMP em Belém e a importância do seminário no contexto da Cúpula. “É um evento carregado de expectativas. Tenho certeza de que faremos um grande debate político e contribuiremos de forma decisiva para o documento final da Cúpula dos Povos, que será entregue ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago. Também estamos recarregando nossas energias para incidir na COP30”, afirmou.

Presente no seminário, o ministro Paulo Teixeira reforçou o papel histórico da Central: “A CMP é fundamental para a diminuição da desigualdade, para a garantia de direitos e para fortalecer a consciência e a organização do povo brasileiro. Parabéns pelo seminário.”

Defesa dos territórios e enfrentamento ao capitalismo predatório

Para Paulo Cohen, da direção nacional da CMP, a luta por justiça climática exige mobilização permanente e projetos concretos: “Precisamos colocar o povo na rua contra o desmatamento da Amazônia, contra o imperialismo e contra o sistema capitalista que investe na mineração e destrói as florestas. É urgente ampliar o agroflorestamento e fortalecer políticas de habitação sustentáveis, como estamos fazendo na Ilha do Combú.”

No mesmo sentido, Wagner Martins, da Fiocruz, enfatizou a articulação entre ciência e saberes populares:
“A economia não está deslocada da vida. Saúde é vida. Ao integrar o saber popular ao conhecimento científico, caminhamos para soluções reais. A parceria com a CMP é fundamental para levar aos territórios a união entre saúde humana, saúde da natureza e saúde da vida.”

Organização popular e projeto de sociedade

A professora Maria Marise Dutra destacou a necessidade de construir um novo horizonte civilizatório:
“O novo para mim é o socialismo. No capitalismo, as questões não se encontram. Quem vai construir o socialismo somos nós, nas periferias e nos bairros, analisando a realidade e transformando o mundo.”

Para Yuri Paulino, do MAB/PA, o debate promovido pela CMP é essencial para que as populações dos territórios amazônicos sejam ouvidas: “A Cúpula dos Povos é um grande instrumento para defender o povo e enfrentar a crise climática. Se o debate urbano e rural que a CMP articula não estiver incluído, nossos povos não estarão contemplados.”

Já Clara Weichelt, da Misereor, afirmou que levará as experiências aprendidas na Cúpula para a Zona Azul da COP30, onde ocorrem as negociações oficiais: “É minha segunda vez acompanhando de perto o processo climático no Brasil. A cada encontro, aprendemos mais com as organizações populares. Levarei essas vozes para os espaços de decisão.”

Urgência climática nos territórios amazônicos

Também no seminário, Silvia Rodrigues Rosa, militante da CMP no Pará, reforçou a urgência das mudanças climáticas na região: “Juntos, podemos lutar e transformar. Na Ilha do Combú, por exemplo, já não há mais camarão. A hora de lutar por mudanças é agora, é urgente.”

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