CMP vai às ruas em diversos estados contra a redução de pena para golpistas

A Central de Movimentos Populares (CMP) esteve presente, neste domingo (14/12), em atos realizados em diversas capitais do país contra a aprovação do chamado PL da Dosimetria, projeto que reduz penas de envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro e pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

Militantes e dirigentes da CMP participaram das mobilizações em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Piauí, Espírito Santo, Pará, Brasília, Minas Gerais e Maranhão, somando forças a milhares de pessoas que ocuparam as ruas em defesa da democracia, do Estado de Direito e da responsabilização dos golpistas.

As manifestações tiveram como eixo central a palavra de ordem Sem anistia, sem perdão”, reafirmando que crimes contra a democracia não podem ser relativizados. Ao contrário: precisam ser punidos com rigor para que não se repitam.

Durante o ato no Ceará, que reuniu cerca de 10 mil pessoas, Thiago Celestino, da direção nacional e coordenador da CMP no estado, destacou a força da mobilização popular e a necessidade de avançar em um projeto democrático construído nas ruas e nas lutas.“É um mar de gente dizendo que não vamos aceitar perdão nem anistia para golpistas. Muito pelo contrário: vamos avançar em um projeto popular e democrático. Em 2026, começando nas ruas, mas também nas lutas, vamos expulsar os golpistas e a extrema direita do Congresso Nacional”, afirmou.

Thiago também ressaltou a importância da disputa política e institucional. “O Congresso não é inimigo do povo como um todo. Lá existem companheiros e companheiras fazendo a luta justa também. Por isso, precisamos saber votar para construir, no próximo ano, um Congresso combativo, capaz de avançar nas políticas públicas. Uma pauta urgente é a tarifa zero no transporte público em todo o país”, completou.

No Piauí, a mobilização contou com a participação de Neide Carvalho, da direção nacional e coordenadora estadual da CMP, que foi enfática: “Sem anistia e sem perdão para os golpistas do 8 de janeiro. Eles precisam seguir presos e pagar pelos crimes cometidos contra o nosso país.”

Em São Paulo, milhares de manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, em frente ao MASP. A coordenação do ato criticou duramente o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o avanço de pautas que atacam direitos, como o marco temporal e o sistema de emendas parlamentares.

A dirigente nacional e coordenadora da CMP-SP, Miriam Hermógenes, discursou no carro de som e afirmou: “É muito bom estar do lado certo da história. No ano que vem, nossa resposta virá das urnas. Vamos expulsar os golpistas do Congresso. Fora Hugo Motta”.

O ato em São Paulo também contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, histórico apoiador dos movimentos populares, que criticou o governador Tarcísio de Freitas e defendeu a renovação do Congresso. “Vamos tirar esse serviçal do Trump e do Bolsonaro daqui”, afirmou.

Já no Rio de Janeiro, a manifestação teve forte dimensão cultural e política, com apresentações de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Paulinho da Viola. Deputados federais como Glauber Braga (PSOL-RJ), Lindbergh Farias (PT), Talíria Petrone (PSOL), Benedita da Silva (PT) e Jandira Feghali (PCdoB) participaram do ato e reforçaram o posicionamento contra a anistia.

Em Brasília, representantes da CMP também marcaram presença, entre eles Raimundo Bonfim, coordenador nacional licenciado da Central e atual diretor de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, reforçando o compromisso da organização com a democracia e a participação popular.

As mobilizações em todo o país são uma resposta direta à aprovação do PL da Dosimetria na Câmara dos Deputados, por 291 votos a 148. O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado Federal e, se aprovado, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para a CMP, a luta contra a anistia aos golpistas é fundamental. Ela representa a defesa da democracia, o fortalecimento dos movimentos populares e a construção de um projeto de país baseado em justiça social, direitos e participação do povo.

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