Projeto ParticipAção fortalece o SUS a partir dos territórios e da organização popular

Já em ação nos territórios populares, o projeto ParticipAção – Estratégias de Formação Interprofissional e Popular em Saúde no SUS está aproximando estudantes das comunidades e dos movimentos sociais para construir uma formação alinhada às realidades do Sistema Único de Saúde. Desenvolvida pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em parceria com a Central de Movimentos Populares (CMP) e a Famopes, a iniciativa integra ensino, extensão e educação popular, levando a universidade para além dos seus muros.

A proposta foi aprovada no Programa AfirmaSUS, do Ministério da Saúde, política pública que seleciona projetos de universidades públicas para promover ações de ensino, pesquisa, extensão e cultura voltadas à inclusão, permanência e fortalecimento de estudantes de grupos historicamente vulnerabilizados nas carreiras da saúde, como negros, quilombolas, indígenas, pessoas trans e outros grupos sociais. Ao fortalecer a presença desses estaduantes na formação em saúde, o programa contribui para uma prática profissional crítica, antirracista e comprometida com o SUS.

Uma formação para além da universidade

Com duração de 24 meses, o ParticipAção teve início em novembro e envolve 15 estudantes, além de um preceptor, responsável por articular as atividades entre unidades básicas de saúde, movimentos sociais, comunidades e universidade, e um tutor docente da UFES. O projeto aposta na construção coletiva do conhecimento, reconhecendo o território como espaço central de aprendizagem.

Diferente dos modelos tradicionais de formação, que se concentram nos ambientes acadêmicos ou exclusivamente nas unidades de saúde, o ParticipAção propõe uma abordagem transformadora: levar a universidade para os territórios, valorizando os saberes populares e as experiências comunitárias como parte fundamental da formação profissional.

“Nós vamos desenvolver oficinas comunitárias, rodas de conversa e produzir mídias populares, como cartilhas, conteúdos para rádios comunitárias e podcasts, além de promover uma formação crítica e antirracista. Queremos que o território nos ensine, que os saberes populares se encontrem com a academia. A ideia, por exemplo, é dialogar com um terreiro, para que uma mãe de santo possa explicar as práticas alternativas de cuidado à saúde que ela desenvolve ali”, explica Wallace Vargas, preceptor do projeto e mestrando em Saúde Coletiva pela UFES.

Segundo ele, a proposta parte do reconhecimento de que muitas comunidades já constroem práticas, redes de cuidado e formas de organização que dialogam diretamente com os princípios do SUS e que precisam ser visibilizadas, valorizadas e incorporadas à formação dos futuros profissionais de saúde.

Nos primeiros quatro meses, os estudantes participam de uma formação inicial, que prepara o grupo para a atuação nos territórios. Entre as primeiras ações previstas, o projeto planeja desenvolver, em fevereiro, uma campanha de conscientização sobre o uso de preservativos e a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, aproveitando o período do Carnaval para fortalecer a educação em saúde junto à comunidade.

“Temos uma expectativa muito grande. Um dos principais objetivos do projeto é acolher a comunidade e aproximá-la da universidade, apresentando espaços de ciência, cultura e produção de conhecimento que muitas pessoas ainda não conhecem, como o planetário, museus e laboratórios. A ideia é que essas experiências fortaleçam a esperança no ensino superior como um caminho de transformação e emancipação social”, finaliza Wallace.

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