Vistoria obrigatória, ataque à educação, desrespeito a Erika Hilton e taxação do PIX: veja as fake news que circulam no início do ano eleitoral

O ano de 2026 mal começou e a indústria da desinformação já opera em ritmo acelerado. Em ano eleitoral, mentiras e distorções se espalham com rapidez nas redes sociais, muitas vezes usando vídeos reais fora de contexto, trechos recortados de falas públicas ou projetos de lei que não viraram regra. O objetivo é confundir, gerar medo, revolta e manipular a opinião pública.

Diante desse cenário, a página De Olho na Mentira, da Central de Movimentos Populares (CMP), reuniu algumas das principais fake news que circularam nos últimos dias. Confira:

Governo não vai taxar ou monitorar o PIX

Voltaram a circular nas redes sociais informações falsas dizendo que o governo federal pretende taxar ou monitorar transações via PIX. A mentira ganhou força após o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) voltar a publicar vídeos com essa afirmação.

Na postagem, ele afirma que a medida teria sido tomada de uma forma “escondida” e “disfarçada” em uma instrução normativa publicada em agosto de 2025. “O Estado passou a olhar para o seu Pix como se fosse um dinheiro suspeito”, declara no vídeo.

A página De Olho na Mentira, da CMP, foi atrás dos fatos e confirmou que a informação é falsa. Segundo a Agência Brasil, a Receita Federal voltou a negar qualquer taxação do PIX e alertou que não existe imposto sobre transferências feitas pelo sistema.

O que existe, na verdade, são alertas contra golpes e fraudes, que usam a desinformação para enganar usuários.

Vistoria obrigatória para carros com mais de 5 anos

Nos últimos dias, circulam nas redes sociais e em vídeos no YouTube a informação de que o governo Lula teria criado uma vistoria obrigatória para veículos com mais de cinco anos, com aplicação imediata de multas. Em um dos vídeos mais compartilhados, o youtuber Oliver Ley reproduz trechos de um conteúdo que afirma que a medida já estaria valendo em todo o país e teria como objetivo “arrecadar mais dinheiro” e “forçar a compra de carros novos”.

A página De Olho na Mentira, da Central de Movimentos Populares (CMP), foi checar os fatos e constatou que não existe nenhuma nova regra em vigor obrigando motoristas a realizar vistoria periódica apenas por o veículo ter mais de cinco anos.

O que existe é o Projeto de Lei nº 3507/2025, de autoria do deputado bolsonarista Fausto Pinato (PP-SP), que está em tramitação no Congresso Nacional. O PL propõe vistoria para automóveis com mais de cinco anos, enquanto veículos zero quilômetro e seminovos dentro desse prazo permaneceriam isentos. A proposta prevê multa de R$ 195,23, perda de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e retenção do veículo para quem circular sem a vistoria obrigatória.

Até que todo o processo legislativo seja concluído, nada muda para os motoristas. A vistoria continua sendo exigida apenas nos casos já previstos na legislação atual, como transferência de propriedade ou mudança de município ou estado.

É mentira que Lula disse que pobre não pode estudar

Outra fake news que viralizou nos primeiros dias deste ano diz respeito a uma declaração feita pelo presidente Lula durante um evento na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. No último dia 16, o mandatário participou de um ato em comemoração aos 90 anos do salário mínimo. No evento, Lula criticou a exclusão educacional histórica e defendeu a ampliação de oportunidades para que pobres, negros e trabalhadores tenham acesso à universidade e às profissões de nível superior. No entanto, teve sua fala descontextualizada.

No trecho que circula isoladamente, Lula afirma: “É porque pobre não precisa estudar, P.. Vocês nasceram só para trabalhar. Será que a gente não percebe isso? Será que vocês não percebem? Pobre não nasceu para estudar. Pobre nasceu para trabalhar. Estudar é [para] filho de rico, que pode fazer estudo na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Espanha, em qualquer lugar. Mas, aqui, não”.

Apesar de o vídeo não ser falso nem gerado por inteligência artificial, a afirmação que circula nas redes é enganosa. A página De Olho na Mentira constatou que o trecho foi retirado de contexto e editado para omitir partes essenciais do discurso.

Antes da fala que viralizou, Lula criticava justamente a desigualdade histórica no acesso à educação no Brasil, afirmando: “A primeira universidade feita neste país foi em 1920. O Brasil foi descoberto em 1500. (…) E, aqui, demorou 420 anos para fazer a primeira universidade. Por que será que acontecia isso?”

Logo depois do trecho recortado, o presidente deixou claro que defende mais oportunidades para a população pobre, afirmando:

“A gente não quer ser só pedreiro, estudante de pedreiro. (…) A gente também quer ser engenheiro, a gente quer ser doutor, a gente quer ser médico, a gente quer ser professor. E o que precisa fazer? (…) O que precisa fazer é dar oportunidade.”, disse o presidente.

Lula não chamou Erika Hilton de “ele”

As redes sociais propagaram nos últimos dias conteúdos sugerindo que Lula teria se referido à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) usando o pronome masculino durante um discurso no Rio de Janeiro.

A página De Olho na Mentira foi atrás dos fatos e verificou que a informação não é verdadeira. As publicações que viralizaram distorcem um trecho real do discurso de Lula, mas não fazem referência a Erika Hilton. O presidente usou o pronome masculino em um exemplo ao falar sobre os riscos do uso de inteligência artificial, mas estava se referindo a outra pessoa chamada Elika (Elika Takimoto, deputada estadual do Rio de Janeiro), e não à Erika Hilton.

“Eles são capazes de tirar uma foto sua sentada do jeito que você está aqui e colocar você pelada no celular. É isso que é inteligência artificial. Ele é capaz de tirar uma foto da Erika [Elika] vestidinha do jeito que ele [ela] está, com a perna cruzada e amanhã aparecer no celular a Erika [Elika] sentada pelada aqui”, afirmou o presidente em trecho que deu origem à fake news.

A própria deputada Erika Hilton negou que o presidente tenha se referido a ela e afirmou que não estava presente no evento citado nas postagens. A deputada informou na segunda-feira (19/01) que acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para pedir a investigação de perfis que divulgaram a notícia falsa.

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