A Central de Movimentos Populares (CMP) teve o seu trabalho reconhecido em nível nacional com o Projeto Rural do Murucutum, desenvolvido na Ilha do Combu, em Belém (PA). A iniciativa está entre os 10 projetos premiados no Prêmio Minha Casa, Minha Vida, promovido pelo Ministério das Cidades para destacar experiências inovadoras e sustentáveis na produção habitacional de interesse social em todo o país.
A cerimônia de entrega da premiação será realizada no próximo dia 25 de março, às 14h, no auditório da Matriz II da Caixa Econômica Federal, em Brasília. Os projetos vencedores foram escolhidos por uma banca formada por especialistas das áreas de engenharia, arquitetura e planejamento urbano, além de representantes de instituições como ONU-Habitat, Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
O projeto desenvolvido na Ilha do Combu foi reconhecido na categoria Sustentabilidade, destacando-se entre 21 propostas de diferentes regiões do Brasil. A execução da iniciativa é coordenada pela CMP em parceria com a Fiocruz, Caixa Econômica Federal, Universidade Federal do Pará (UFPA), Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab), Ação da Cidadania, Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMAS), Cooperativa dos Barqueiros da Ilha do Combu, além dos Ministérios das Cidades e da Saúde.
Mais do que um reconhecimento institucional, o prêmio representa uma conquista concreta das famílias ribeirinhas beneficiadas pela iniciativa. Ao todo, 45 famílias passaram a ter acesso a moradias dignas, seguras e adaptadas à realidade amazônica, resultado direto da organização popular e da luta histórica por políticas públicas no território.
De acordo com o coordenador nacional da CMP e responsável pelo projeto no Pará, Paulo Cohen, o reconhecimento simboliza a realização de um sonho coletivo. “Esse prêmio é das famílias ribeirinhas que agora têm a oportunidade de sonhar e viver em suas casas. São pessoas que historicamente estavam esquecidas pelo poder público e que, com a volta do governo Lula, com a retomada das políticas habitacionais, conseguiram transformar esse sonho em realidade”, afirmou.

As moradias sustentáveis representam uma experiência concreta de enfrentamento às desigualdades sociais e aos impactos das mudanças climáticas na região amazônica. Construídas em madeira, as casas contam com sistemas de captação de água da chuva, biodigestores, hortas suspensas e cultivo de plantas medicinais, incorporando tecnologias sociais pensadas a partir da realidade das comunidades.
Segundo Paulo Cohen, o projeto também foi marcado por decisões que buscaram ampliar a qualidade de vida das famílias contempladas. “A proposta inicial era construir casas de madeira com 42 metros quadrados. Nós ousamos e ampliamos para 69 metros quadrados, garantindo mais espaço e dignidade para as famílias. Além disso, construímos anexos sustentáveis, em parceira com a Cohab, feitos com material como o caroço de açaí triturado, que funcionam como kitnets para geração de trabalho e renda”, destacou.
Esses anexos foram pensados para possibilitar atividades de hospedagem comunitária e fortalecimento da economia local, criando novas oportunidades de renda e contribuindo para a permanência das famílias no território.
O projeto também incorpora soluções inovadoras como energia solar, algo que não estava previsto inicialmente no programa, e sistemas de filtragem capazes de garantir até 2.500 litros de água tratada por dia. A CMP já planeja novas iniciativas produtivas, como a implantação de tanques para criação de peixes e camarões, além do fortalecimento das hortas comunitárias.
Para Cohen, a experiência só foi possível graças à articulação entre movimentos populares, universidades, órgãos públicos e instituições parceiras. “Nada se faz sozinho. Esse projeto é fruto de um sonho coletivo e da persistência de muitas pessoas e instituições que acreditaram que era possível levar moradia digna para regiões distantes e complexas. Nosso agradecimento ao presidente Lula; ao ministro das Cidades, Jader Filho; ao presidente nacional da Caixa, Carlos Vieira; ao presidente da Cohab, Manoel Pioneiro; ao diretor da Fiocruz, Wagner Martins; ao presidente da Cooperativa Mista da Ilha do Combu (Coopmic), Mizael Rodrigues; à Universidade Federal do Pará; à minha companheira Marilda Cohen; e, representando os 45 beneficiários do projeto, o nosso muito obrigado à ribeirinha Angela; além de toda militância da CMP, e a todos que caminharam conosco para tornar esse sonho realidade”, ressaltou.
O reconhecimento nacional fortalece a perspectiva de expansão da iniciativa. A meta da CMP é viabilizar a construção de mais 500 unidades habitacionais em áreas ribeirinhas do Pará, ampliando o alcance de uma experiência que já se consolida como referência em moradia popular sustentável na Amazônia.
“Se Deus quiser vamos conseguir a seleção para novas unidades ainda este ano e iniciar a construção em diversas ilhas do estado. Vamos avançar. A meta é levar esse projeto para qualquer região do país que tenha áreas ribeirinhas. Onde houver necessidade, a CMP estará presente”, finalizou Paulo Cohen.

