Movimentos sociais e populares e pastorais sociais da Igreja Católica estarão unidos nas ruas, no dia 7 de setembro, para a 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas. Realizada em diversas cidades do país, a mobilização deste ano tem como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”.
A Central de Movimentos Populares (CMP), que participa da construção do Grito desde a primeira edição, estará presente nas mobilizações realizadas em diferentes regiões do Brasil. A edição de 2026 levará às ruas reivindicações que fazem parte da vida cotidiana da classe trabalhadora, como o direito à moradia digna e ao trabalho com direitos, a defesa da soberania nacional, o enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio, a preservação da democracia e a construção da paz.
A luta por moradia terá espaço central na mobilização, em diálogo com a Campanha da Fraternidade de 2026, que trouxe o tema “Fraternidade e Moradia”. O Grito denunciará o déficit habitacional, a concentração de terras e a especulação imobiliária, além de defender políticas públicas capazes de assegurar teto, dignidade e direito à cidade para todas e todos.
A defesa da vida das mulheres também estará no centro das manifestações. Diante do crescimento das agressões e dos feminicídios, os movimentos populares e as pastorais reforçam que nenhuma sociedade pode ser considerada democrática enquanto mulheres seguem sendo vítimas da violência e têm seus direitos ameaçados.
Em um ano eleitoral, o Grito também chamará a atenção para a importância da democracia, do diálogo e da participação popular na construção de um Brasil menos desigual. A defesa da soberania nacional e o clamor pela paz completam as principais bandeiras da mobilização em um momento marcado por conflitos e tensões internacionais.
“Há mais de 30 anos, a CMP ajuda a construir o Grito dos Excluídos e Excluídas porque ele representa aquilo que orienta a nossa luta: colocar a vida do povo em primeiro lugar. Neste ano, movimentos populares e pastorais chegam ainda mais unidos às ruas para denunciar as desigualdades e afirmar o país que queremos construir, com moradia digna, trabalho com direitos, mulheres vivas, democracia e soberania. No dia 7 de setembro, quem precisa ser ouvido é o povo que luta todos os dias nas periferias, nos campos e nos territórios”, afirma Miriam Hermógenes, coordenadora nacional da CMP.
Em São Paulo, a programação tradicional será realizada na Praça da Sé e começa às 7h, com café da manhã destinado à população em situação de rua. Na sequência o espaço receberá tendas, oficinas e atividades culturais. A abertura do ato político-cultural está marcada para as 9h. Às 10h, os participantes iniciarão uma caminhada pelo centro da cidade.
Um grito que atravessa a história
O Grito dos Excluídos e Excluídas surgiu das reflexões da 2ª Semana Social Brasileira, realizada em 1993 e 1994, e também foi inspirado pela Campanha da Fraternidade de 1995. Sua primeira manifestação nacional ocorreu em 7 de setembro de 1995, em mais de 170 localidades do país, e ficou marcada pela grande mobilização realizada em Aparecida, no interior de São Paulo, em conjunto com a Romaria dos Trabalhadores.
A partir de 1996, a iniciativa passou a contar com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Desde então, pastorais, movimentos sociais, organizações populares, sindicatos e comunidades constroem coletivamente atos, caminhadas e atividades culturais em todo o país.
Mais do que uma manifestação, o Grito transforma o Dia da Independência em um momento de organização, denúncia e reivindicação popular. Em vez de uma independência apenas formal, os movimentos defendem uma soberania construída com participação popular, justiça social e garantia de direitos.
Confira endereços dos atos com a participação da CMP:
São Paulo capital
Praça da Sé
A partir das 7h: café da manhã para a população em situação de rua
9h: abertura do ato político-cultural
10h: saída da caminhada
12h: missa na Catedral da Sé
Campinas
8h, no Largo do Rosário, no Centro
Baixada Santista
9h, na Praça Central de São Vicente
Alto Tietê
9h, no Parque Centenário, em Mogi das Cruzes