Brigadas de Agitação e Propaganda lançam carta manifesto com proposta para construção de um Brasil soberano; confira!

As Brigadas de Agitação e Propaganda lançaram nesta quinta-feira (10) uma carta-manifesto com propostas para a construção de um Brasil soberano, justo e igualitário. O documento coloca a participação popular no centro das decisões e defende a soberania nacional, reformas estruturais, justiça social e climática, trabalho digno, direito à cidade e o enfrentamento de todas as formas de exploração, opressão e discriminação.

Leia o documento na íntegra abaixo:

Construir um Brasil soberano, justo e igualitário

Vivemos um momento histórico marcado por uma profunda crise do sistema capitalista em escala mundial. Não se trata apenas de uma crise econômica ou ambiental isolada, mas de uma crise sistêmica, na qual se combinam a emergência climática, as guerras, a disputa geopolítica, a ascensão da extrema direita e o avanço da mercantilização da vida, da espoliação e da concentração de riqueza e poder.

Os Estados Unidos, em meio à sua crise de hegemonia, intensificam ações imperialistas globais para preservar a posição de potência unipolar, subordinando territórios por meio da concentração de capital, estímulo e realização de guerras e interferências que violam a soberania de muitos países. Na América Latina, esse movimento ganha força com a reatualização da Doutrina Monroe, reafirmando historicamente o continente como área de influência exclusiva, e recorrendo a sanções, pressões diplomáticas e políticas para manter o controle geopolítico da região. De outra parte, surge um bloco opositor ao imperialismo estadunidense, na qual a China se sobressai como uma nova potência mundial e referência para grande parte do mundo. Neste bloco moderno e inspirador para muitas nações, o Brasil se insere através do bloco chamado BRICS e com nível de relações comerciais cada vez mais intensas com a China e seus aliados. Hoje, a China é o principal parceiro comercial do Brasil.

A crescente mercantilização e financeirização de bens vitais como: a água, terra, energia e moradia — transforma crises em pretextos para o avanço da exploração sobre territórios estratégicos e a retirada de direitos sociais. Para sustentar esse processo, ganham força ofensivas políticas fascistas e de extrema-direita, impostas como mecanismos de exploração, opressão e controle, tornando a luta no Brasil e na América Latina um momento muito importante de resistência pela soberania e pela democracia.

Esta situação coloca as eleições de 2026 como uma disputa decisiva sobre os rumos do Brasil. Ao resgatar a história das lutas populares em todo o país e defender a soberania nacional, a educação, a indústria, a segurança e o aproveitamento dos recursos estratégicos do país, não está em jogo apenas a escolha de um governo, mas o projeto de sociedade e de país que prevalecerá nos próximos anos.

Por isso, as eleições devem ser compreendidas como um momento de disputa entre dois projetos: de um lado, a defesa da democracia, da soberania e dos direitos sociais; de outro, o avanço de uma extrema direita que busca retomar o controle do Estado, para retirar os direitos conquistados e ampliar a exploração e opressão contra o povo brasileiro.

Reconhecemos os avanços do governo Lula, tais como a retirada do Brasil do Mapa da Fome, a manutenção e melhoria dos programas de saúde, a menor taxa de desemprego, o fim do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, o Programa Pé de Meia para os estudantes, bem como a defesa firme da soberania nacional, entre outras tantas ações positivas. Avaliamos, contudo, que é necessário avançar e ousar ainda mais para concretizar o sonho da classe trabalhadora de construir um país próspero, justo e feliz.

Para os movimentos populares, a responsabilidade é transformar o processo eleitoral em uma grande mobilização social, capaz de defender a democracia e construir um projeto nacional soberano, popular e comprometido com a maioria do povo.

Diante do exposto, as Brigadas de Agitação e Propaganda (organizadas pela CMP, FUP, MAB, MPA e UNMP), estão engajadas para eleger o presidente Lula, promovendo diversas ações em todo o país, defendendo e incentivando as lutas com as seguintes propostas:

  1. A construção de um projeto para o Brasil exige colocar a participação popular no centro das decisões políticas, tanto na construção das políticas públicas como nos projetos estratégicos para a nação. 
  2. Ao mesmo tempo, esse projeto deve combinar soberania nacional e popular com desenvolvimento econômico, justiça social e ambiental
  3. Defender a soberania nacional sobre os recursos naturais, territórios e decisões estratégicas da nação, bem como, fortalecer a soberania popular e a capacidade da população de decidir os rumos do país. É preciso garantir controle público e popular sobre setores fundamentais para o desenvolvimento, com destaque para a soberania energética e alimentar, e nas questões da água, moradia, saúde, educação, terras raras e outros recursos em setores estratégicos.
  4. Criar condições para a formação, organização e mobilização do povo brasileiro: Incentivar a formação e capacitação da população e das lideranças. Fortalecer a organização e a mobilização popular para a implementação, acompanhamento e controle dos projetos estratégicos e das políticas públicas. 
  5. Realizar reformas estruturais necessárias ao desenvolvimento do país: agrária, urbana, energética, do sistema político, da justiça tributária, com taxação dos super ricos e outras reformas necessárias à redução das desigualdades sociais e territoriais. 
  6. Proteger e desenvolver as áreas vulneráveis para enfrentamento da crise climática: Criar programas de recuperação e desenvolvimento para áreas carentes. Priorizar áreas e populações expostas a riscos decorrentes da crise climática. Fortalecer políticas de prevenção, adaptação e proteção do povo nos territórios. 
  7. Reindustrializar o país priorizando setores de alta agregação de valor. Garantir a transição energética justa e popular e a sustentabilidade ambiental. Promover a redução da penosidade e da precarização do trabalho. 
  8. Garantir o direito à cidade: assegurar e integrar transporte com tarifa zero, emprego, moradia e meio ambiente, saneamento básico e direito à água, orientados pela justiça climática.
  9. Lutar contra toda a exploração, opressões e discriminação.  É necessária a construção de uma cultura de respeito, reconhecimento das diferenças, reparação das injustiças históricas e convivência fraterna sem exploração, opressões e discriminação em todo território nacional.
  10. Estimular a solidariedade internacional e um mundo de paz: Incentivar a solidariedade entre os povos, defender a cooperação internacional e contribuir para a construção de um mundo de paz, baseado na autodeterminação dos povos e na soberania das nações.

Brigadas de Agitação e Propaganda, Brasil, setembro de 2026

Central de Movimentos Populares – CMP
Federação Única dos Petroleiros – FUP
Movimento .dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
União Nacional de Moradia Popular – UNMP

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