A pauta da vitória é o fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho

Estamos nos aproximando do primeiro turno das eleições presidenciais e o cenário segue aberto, com chances reais de Lula sair vitorioso já no primeiro turno. Em votos válidos, são poucos os pontos percentuais que separam Lula do quarto mandato como Presidente da República. E existe uma pauta de muito apelo popular que diferencia de forma explícita os dois projetos de país em disputa. De um lado, o campo democrático popular em defesa da redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1; de outro, o campo neofascista que não apenas se opõe a isso, mas quer aprofundar a superexploração com a liberalização de negociação direta entre patrão e empregado, podendo levar a uma escala 7×0.

Apesar de central para os/as trabalhadores/as e contar com amplo apoio popular, esse tema não tem recebido a devida centralidade na campanha. Sabemos que em eleições, no Brasil e no mundo, a disputa de agenda, ou seja, do tema que domina o debate público, é definidora da candidatura vitoriosa. E temos todas as condições de deslocar a agenda atual da crise no STF para uma que atinge diretamente a vida de milhões de brasileiros e brasileiras: as condições de trabalho. É fundamental explicitar para o eleitorado que o voto fará essa diferença direta no cotidiano vivido.

A diferença já está dada: enquanto Lula segue pressionando para que Alcolumbre coloque a medida em votação no Senado, Flávio Bolsonaro interrompeu sua campanha no início de setembro para atuar contra esse anseio da população trabalhadora. Além disso, a pauta é um confronto direto entre capital e trabalho e por isso só será aprovada com mobilização e luta. Não à toa, Alcolumbre elenca pretextos para adiar a votação e a condiciona ao resultado eleitoral.

Portanto, a hora de realizar essa mobilização é agora. É preciso que movimentos populares e sindicais, partidos políticos e coordenações de campanhas majoritárias e proporcionais assumam a responsabilidade de colocar essa pauta na rua, com centralidade, na disputa diária que se deve realizar de agora até as eleições. Teremos, nos próximos dias, grandes mobilizações e comícios, atividades das Brigadas de Agitação e Propaganda, ações do sextou com Lula, além de propaganda nas mídias. Todos esses momentos são oportunidades de agitar com força a bandeira do fim da escala 6×1 com redução da jornada de trabalho e manutenção dos salários. Se assim for feito, haverá mudança de agenda midiática, do debate público-eleitoral, de forma muito favorável a Lula.

Além disso, como a medida depende do Senado, é preciso vinculá-la às campanhas do campo democrático-popular para Senador/a. Muitos eleitores sequer têm clareza de qual é a função de um Senador, de modo que é fundamental propagandear que os dois votos para esse cargo serão igualmente determinantes para garantia de mais um dia de descanso semanal.

É preciso dizer em alto e bom som, sistematicamente, de hoje até 4 de outubro, que o/a eleitor/a tem em suas mãos a chance de garantir uma escala de trabalho decente. Para isso, basta escolher as candidaturas ao Senado que defendem o fim da escala 6×1 com redução da jornada, e eleger Lula presidente. Que as ações de campanha nas próximas duas semanas deixem isso explícito, rumo à vitória.

Raimundo Bonfim – coordenador nacional licenciado da Central de Movimentos Populares e da coordenação nacional de mobilização da campanha Lula

Hugo Fanton – cientista político e militante da Central de Movimentos Populares

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