Movimentos sociais entregam convite a Lula para participar da Cúpula dos Povos

Dirigente nacional da CMP, Paulo Cohen, e Iury Paulino, do MAB, representaram a coordenação política do evento no encontro com o presidente Lula e o ministro Márcio Macêdo

Reconhecida como o principal espaço de articulação da sociedade civil rumo à COP30, a Cúpula dos Povos será um marco na construção de propostas populares para enfrentar a crise climática com justiça social. Na última quinta-feira (2), o dirigente nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), Paulo Cohen, e Iury Paulino, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), entregaram pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Belém, do Pará, o convite para participar do evento, durante visita do chefe de Estado à Casa da Cúpula dos Povos. O encontro também contou com a presença do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, e reforçou a importância da participação popular na agenda climática brasileira.

Marcada para acontecer entre 12 e 16 de novembro, em Belém, a Cúpula dos Povos reunirá cerca de 10 mil participantes de movimentos sociais, povos indígenas, comunidades tradicionais, juventudes e organizações populares do Brasil e de outros países.

Segundo Paulo Cohen, dirigente nacional da CMP e integrante da coordenação política da Cúpula, a expectativa é de que o presidente Lula participe de algum momento do evento, fortalecendo a aliança entre governo e sociedade civil em torno das transformações necessárias para enfrentar a crise climática.

“A presença do presidente Lula na Cúpula dos Povos seria um gesto simbólico e político muito importante. Esse é um espaço construído pelas bases, pelos movimentos e pelos povos que vivem, na prática, os impactos das mudanças climáticas, sobretudo na Amazonia. Queremos que o governo esteja junto, ouvindo e dialogando sobre soluções que nascem da sociedade”, afirmou Cohen.

O convite entregue ao presidente inclui diferentes possibilidades de participação – desde a abertura oficial do evento, passando pela plenária dos movimentos sociais, marcada para o dia 14, até a marcha de encerramento, quando será entregue a Carta da Cúpula dos Povos, documento com diretrizes e propostas elaboradas coletivamente pelos milhares de participantes.

De acordo com Iury Paulino, da coordenação nacional do MAB e também da coordenação política da Cúpula, o diálogo com o governo federal é parte essencial da estratégia dos movimentos:

“Embora a gente trate a Cúpula como um espaço autônomo da sociedade civil, buscamos sempre construir pontes com o governo Lula dado a referência política mundial que ele é. É um convite aberto, que reforça o compromisso de construir políticas e soluções em conjunto com quem está nas lutas do dia a dia. Estamos otimistas com a possibilidade de o presidente participar em algum momento do evento”, disse.

Durante a visita, o ministro Márcio Macêdo destacou que a Secretaria-Geral da Presidência da República está empenhada em garantir as condições necessárias para que o evento tenha ampla participação popular. “Não existe política pública sustentável se não tiver participação social”, afirmou.

Tradicionalmente realizada em paralelo às Conferências das Nações Unidas sobre o Clima, a Cúpula dos Povos, que conta com a participação de mais de mil organizações, é um espaço autônomo da sociedade civil que articula movimentos e entidades em torno da justiça climática e social. Em Belém, a edição de 2025 promete ser uma das maiores já realizadas, com dezenas de plenárias, assembleias, apresentações culturais e atividades autogestionadas.

“A Cúpula é um espaço de resistência, de memória e de futuro. É a sociedade civil dizendo que enfrentar a crise climática passa por colocar o povo no centro das decisões”, concluiu Paulo Cohen.

Veja abaixo o convite entregue ao presidente Lula:

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