Coletivo de Mulheres da CMP realiza seminário nacional em Brasília para enfrentar feminicídio e debater saúde mental nas periferias

Entre os dias 1º e 3 de maio, em Brasília, o Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP) realiza o Seminário Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e pela Saúde Mental das Mulheres nas Periferias, um encontro que marca a retomada da articulação nacional das mulheres da central após quase três décadas do último encontro, realizado em 1998. A iniciativa acontece em um cenário ainda preocupante de violência contra as mulheres no país, mas também em um momento de reconstrução de políticas públicas e de abertura ao diálogo com os movimentos sociais para o enfrentamento dessas desigualdades.

Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registra mais de mil casos de feminicídio por ano. Ao mesmo tempo, estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mulheres são mais afetadas por transtornos como ansiedade e depressão, realidade que se intensifica em contextos de desigualdade social, sobrecarga de trabalho e falta de acesso a políticas públicas.

É nesse contexto que o seminário se apresenta como um espaço estratégico de organização e formulação política. O encontro deve reunir mais de 200 militantes de todos os estados em que a CMP atua, após um amplo processo de plenárias, e contará com a participação de convidadas como a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, além de representantes do governo federal e de organizações sociais, como Izadora Brito, Elisa Estronioli, Sandra Kennedy, Verônica Ferreira e Amanda Gomes Corsino.

Para a coordenadora nacional da CMP, Miriam Hermógenes, oseminário representa um passo fundamental na retomada da mobilização das mulheres nos territórios populares. “Estamos retomando um processo histórico de organização do Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares. Esse seminário é fruto de uma trajetória de luta e também uma resposta ao momento que vivemos hoje, com aumento da violência e do sofrimento mental das mulheres, especialmente nas periferias. É preciso transformar essa realidade com organização e ação coletiva”, explica.

O seminário busca atualizar a agenda política das mulheres da CMP, incorporando temas que ganharam ainda mais centralidade nos últimos anos, como o feminicídio e a saúde mental. Nas periferias, esses problemas estão diretamente ligados às condições de vida, ao aumento da violência e à precarização das políticas públicas.

Além de promover o debate, o encontro tem como objetivo fortalecer a articulação nacional do Coletivo de Mulheres da CMP e construir estratégias de atuação nos territórios. A expectativa é que o evento contribua para ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão e para impulsionar ações concretas de enfrentamento às desigualdades.

“O movimento do Coletivo de Mulheres da CMP sempre teve como base a realidade das periferias. É a partir dela que construímos nossas pautas e nossas lutas. Este seminário é mais um passo para fortalecer essa organização e dar visibilidade às demandas das mulheres que estão na linha de frente da sobrevivência e da resistência”, reforça Miriam Hermógenes.

Ao reunir memória, análise do presente e construção de propostas, o Seminário Nacional tem como missão central apontar caminhos para enfrentar a violência contra as mulheres, garantir direitos e construir uma sociedade mais justa para todas.

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