A poucos minutos do centro de Belém, na Ilha do Combu, famílias amazônidas protagonizam uma experiência concreta de enfrentamento à crise climática. Fruto da luta popular e da organização comunitária, as primeiras unidades das moradias sustentáveis da Ilha ficaram prontas e já exibem os toques finais. Entre eles, uma pintura com o símbolo da Central de Movimentos Populares (CMP) estampada na fachada das casas.
O projeto é coordenado pela CMP e integra o programa Minha Casa, Minha Vida Rural, do governo federal, beneficiando 45 famílias da região. A iniciativa conta com a parceria da Fiocruz, Caixa Econômica Federal, Universidade Federal do Pará (UFPA), Ação da Cidadania, Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMAS), Cooperativa dos Barqueiros da Ilha do Combu, além dos Ministérios da Saúde e das Cidades.
As moradias sustentáveis, construídas em madeira e equipadas com sistemas de captação de água da chuva, biodigestores, hortas suspensas e cultivo de plantas medicinais, inauguram um novo capítulo na história da comunidade. Elas são exemplos de casas com tecnologias sociais populares.
Além das casas, está prevista a construção de um anexo com unidades de hospedagem, em parceria com a Cohab (Companhia de Habitação do Estado do Pará). Essas estruturas utilizam materiais sustentáveis, como tijolos produzidos a partir de areia e caroço de açaí triturado, e têm o objetivo de gerar renda para os moradores da Ilha.

Paulo Cohen, integrante da direção nacional da CMP e coordenador estadual no Pará, destaca que a CMP acompanha há anos a realidade das famílias do Combu, marcadas por perdas e dificuldades agravadas pelos efeitos das mudanças climáticas. Em março deste ano, por exemplo, as casas dessas famílias foram completamente alagadas, o que provocou prejuízos materiais e riscos à saúde.
“Após muito sofrimento, é com alegria que essas famílias passam a ser assistidas. Pela primeira vez, vemos um olhar mais firme do governo federal para aqueles que protegem a floresta em pé, que vivem do aproveitamento sustentável e que, até então, pouco tinham políticas públicas que garantissem dignidade”, afirma Paulo Cohen.
A ação na Ilha do Combu acontece em um momento histórico: Belém se prepara para sediar a COP30 enquanto os movimentos populares organizam a Cúpula dos Povos, trazendo o olhar do mundo para a Amazônia. Nesse contexto, famílias historicamente invisibilizadas somam suas vozes em defesa de políticas públicas que assegurem condições dignas de vida e resiliência climática. A experiência do Combu se torna um exemplo concreto de alternativas sustentáveis e populares diante da crise ambiental. São soluções que nascem dos territórios, da força e da organização comunitária.