Nota – Coletivo de Mulheres da CMP

O Brasil chega ao fim de 2025 assistindo mulheres serem arrancadas de suas vidas e de suas famílias de forma brutal, semana após semana. Famílias que deveriam estar planejando o fim de ano agora tentam juntar os pedaços depois de perdas tão cruéis. Em poucos dias, nos deparamos com violências tão brutais que é impossível não sentir revolta: uma mulher atropelada e arrastada, outra queimada viva com seus filhos, outras baleadas enquanto trabalhavam.

Quando esse horror passa a fazer parte da rotina, deixa de ser exceção. Não estamos diante de casos isolados, mas de uma realidade que nos adoece como país e que segue crescendo porque ainda não há a resposta que precisamos. Nós, mulheres, sabemos o que é atravessar a vida com medo: medo do que pode acontecer na rua, medo de um parceiro violento, medo de não sermos ouvidas quando pedimos ajuda. Mas também sabemos o que é transformar o medo em coragem.

O feminicídio cresce de forma assustadora. E não estamos falando só de números, estamos falando de vidas. Vidas de mulheres que são tiradas porque homens acreditam que têm direito sobre elas, sobre seus corpos, sobre suas decisões. A violência cresce porque nossa sociedade, muitas vezes, é conivente: silencia, normaliza, se acostuma. Chega. É hora de gritar do fundo: basta!

O Brasil precisa enfrentar o machismo estrutural, esse legado patriarcal que ainda coloca o homem como dono de tudo. Precisamos de políticas públicas urgentes e eficazes, que realmente protejam as mulheres, que garantam nosso direito básico de viver. Mesmo com a Lei Maria da Penha e tantos outros instrumentos de proteção já conquistados, os dados continuam alarmantes. As leis não são plenamente aplicadas e as políticas públicas não funcionam como deveriam e é por isso que os casos seguem se intensificando.

Só no ano passado, 1.492 mulheres foram assassinadas no Brasil por serem mulheres. É o maior número já registrado desde que o feminicídio foi tipificado em 2015. E o Fórum Brasileiro de Segurança Pública alerta: esses números ainda são subnotificados. Ou seja, a situação é ainda mais grave do que parece.

Precisamos mexer nas estruturas: educacionais, políticas, religiosas e familiares. Homens precisam crescer sabendo que mulheres não são propriedade de ninguém; que temos vontade própria, corpo próprio, vida própria. Precisamos de transformação profunda, cultural e social, uma verdadeira revolução contra o machismo, o racismo e todas as formas de opressão.

Estamos apavoradas, indignadas e mobilizadas para a luta. Seguimos juntas, porque viver é um direito nosso e nenhuma mulher pode ser impedida de seguir sua vida.

Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP)
05 de dezembro de 2025

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