Por Nahama Nunes
Alunos da Escola de Soberania Alimentar da Central de Movimentos Populares (ESA/CMP) participaram nesta segunda-feira (16) de uma agenda de atividades na cidade de Campinas (SP), voltada ao fortalecimento da agricultura familiar, da soberania alimentar e das experiências comunitárias nos territórios populares. A atividade foi acompanhada pela coordenadora nacional da CMP, Miriam Hermógenes, que esteve junto com os estudantes da Escola durante toda a programação.
Durante a visita a Campinas, os alunos participaram da inauguração de uma horta urbana instalada em uma área da periferia da cidade que, até pouco tempo atrás, era um lixão abandonado. O espaço foi recuperado e transformado em um local de produção de alimentos, resultado de uma iniciativa que envolve parcerias com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Transpetro. A experiência demonstra, na prática, como áreas antes degradadas podem se tornar espaços de produção, convivência e fortalecimento comunitário.
Para os estudantes da Escola de Soberania Alimentar da CMP, a atividade representou uma oportunidade de conhecer de perto uma experiência concreta de agricultura urbana e de organização popular no território. Miriam Hermógenes destaca que hortas comunitárias como essa têm um papel importante na construção de alternativas populares para garantir alimentação saudável nas cidades. “Hortas comunitárias, como a inaugurada em Campinas, se consolidam como instrumentos importantes para ampliar o acesso a alimentos saudáveis, estimular práticas sustentáveis e fortalecer a participação das comunidades na construção de soluções coletivas”, explicou Miriam.
Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar
A programação em Campinas incluiu também a participação na Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar, realizada na Expo Dom Pedro entre os dias 16 e 18 de março. O evento reúne instituições públicas, pesquisadores, agricultores e representantes de diferentes setores ligados à produção de alimentos no país, com o objetivo de ampliar o acesso a tecnologias e equipamentos que possam melhorar as condições de trabalho no campo e aumentar a produtividade da agricultura familiar.
Além da feira, os alunos da Escola de Soberania Alimentar e a coordenadora da CMP acompanharam atividades do Seminário Nacional de Máquinas e Equipamentos para a Agricultura Familiar, espaço de debate que discute os desafios da mecanização e da inovação tecnológica voltadas à produção de alimentos no Brasil.
Para Miriam Hermógenes, a participação nas atividades reforça a importância de conectar os processos de formação política e social promovidos pela Escola com experiências concretas de produção e organização nos territórios. “A Escola de Soberania Alimentar da CMP tem justamente esse objetivo: formar pessoas comprometidas com a construção da soberania alimentar nos territórios populares. Estar em Campinas, acompanhando a inauguração de uma horta urbana e participando de uma feira voltada à agricultura familiar, é uma forma de aproximar nossos alunos dessas experiências concretas de transformação social”, destacou.
A agricultura familiar desempenha papel fundamental na produção de alimentos no Brasil e, para os movimentos populares, iniciativas como hortas urbanas e projetos comunitários de produção representam também uma forma de enfrentar desigualdades sociais e garantir o direito à alimentação saudável nas periferias.
A Escola de Soberania Alimentar da CMP, desenvolvida em parceria com a Fiocruz, promove formação em tecnologias sociais voltadas à soberania alimentar, incentivando iniciativas como hortas urbanas, hortas medicinais e práticas de compostagem em territórios de moradia popular. A proposta é fortalecer a segurança alimentar, a saúde das comunidades e a organização popular nos territórios.






