Projeto da CMP no Pará recebe nova premiação nacional por moradias sustentáveis para famílias ribeirinhas

O projeto de moradias sustentáveis desenvolvido pela Central de Movimentos Populares (CMP) na Ilha do Combu, em Belém (PA), acaba de receber mais um reconhecimento nacional. Após ter sido premiada pelo Ministério das Cidades no último mês, a iniciativa foi contemplada agora com o Prêmio Mérito Habitacional, concedido pela Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Públicos de Habitação (ABC).

A premiação reconhece projetos voltados à inovação, à sustentabilidade e à redução das desigualdades no acesso à moradia. No Pará, o reconhecimento também envolve o programa Sua Casa COP 30 Sustentável, executado em parceria entre o Governo do Estado, a Companhia de Habitação do Pará (Cohab) e a CMP, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida.

De acordo com Paulo Cohen, da coordenação nacional da CMP e responsável pelo projeto, o resultado reflete um esforço coletivo e aponta caminhos para ampliar esse tipo de iniciativa no país. Ele explica que este “esse prêmio é motivo de muito orgulho e satisfação. Ele mostra que é possível construir projetos inovadores, sustentáveis e voltados para as famílias mais pobres, especialmente em áreas ribeirinhas, quilombolas e indígenas. Esperamos que essas premiações abram portas para que mais projetos como esse sejam contemplados e cheguem a quem mais precisa”.

Foco nas famílias ribeirinhas


O projeto tem como foco famílias ribeirinhas das ilhas do entorno de Belém, como Combu, Murucutu e Ilha Grande, levando moradia digna aliada à sustentabilidade e à inovação tecnológica. Ao todo, 45 famílias já foram beneficiadas com casas adaptadas à realidade amazônica.

As moradias possuem cerca de 69 metros quadrados e foram construídas com madeira, incorporando soluções como captação de água da chuva, sistemas de tratamento de esgoto, energia solar e hortas comunitárias. Um dos diferenciais do projeto é o uso de materiais sustentáveis, como tijolos ecológicos produzidos com caroço de açaí triturado, além de anexos que funcionam como unidades complementares para geração de renda.

Outro aspecto importante é o impacto direto na vida das famílias beneficiadas. Além da moradia adequada, o projeto contribui para a geração de renda e o fortalecimento da economia local, permitindo, por exemplo, o uso de unidades anexas para atividades como hospedagem comunitária.

A tecnologia adotada também gera ganhos ambientais e econômicos, com redução no uso de água, cimento e outros materiais, além de ajudar a minimizar impactos ambientais característicos da região.

O projeto envolve uma ampla rede de parceiros, como o Ministério das Cidades, a Caixa Econômica Federal, a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Fiocruz, a Ação da Cidadania e organizações locais.

Para Paulo Cohen, o reconhecimento também reforça a importância dessas parcerias.
“Esse é um trabalho coletivo, construído com muitos parceiros, que acreditaram na importância de levar moradia digna com sustentabilidade para as famílias que vivem nessas regiões. É esse esforço conjunto que faz o projeto dar certo e crescer”, destacou.

A conquista de dois prêmios nacionais em um curto período evidencia o potencial de iniciativas que combinam inovação, sustentabilidade e compromisso social na política habitacional. A expectativa agora é que a experiência possa ser ampliada, levando moradia digna e sustentável a mais famílias em áreas ribeirinhas e territórios historicamente excluídos.

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