Quase três décadas após o último encontro nacional, realizado em 1998, mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP) voltam a se reunir em Brasília para reorganizar a luta e enfrentar desafios urgentes como o feminicídio e a saúde mental nas periferias. A abertura do Seminário Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e pela Saúde Mental das Mulheres aconteceu nesta sexta-feira (1º), no auditório da Contag, e reuniu 170 participantes de 20 estados. O encontro segue até domingo (3) e marca um novo momento de mobilização política das mulheres da CMP.
A mesa de abertura, coordenada por Miriam Hermógenes e Andrezza Romano, reuniu lideranças de movimentos sociais e representantes do governo federal, com centralidade nas mulheres que constroem a luta popular nos territórios. Participaram Sandra Kennedy, secretária nacional de Articulação Institucional do Ministério das Mulheres; Carli Sena da Cunha, da coordenação nacional da Marcha Mundial das Mulheres; Elisa Estroniolli, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); e Melissa Vieira, secretária de Mulheres da Contag e coordenadora geral da Marcha das Margaridas.
Também esteve Raimundo Bonfim, diretor de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República e coordenador nacional licenciado da CMP, que fez uma saudação destacando a importância da participação popular, sem ocupar o protagonismo da mesa.

Antes do início das falas, uma mística reuniu representantes de diferentes estados, que apresentaram elementos simbólicos de seus territórios. O momento trouxe emoção, diversidade e reafirmou a identidade coletiva das mulheres presentes.
As falas da mesa apontaram a urgência de enfrentar a violência contra as mulheres e de garantir condições dignas de vida, com atenção à saúde mental nas periferias. Também reforçaram a necessidade de fortalecer a organização popular como caminho para transformar a realidade, avaliação que atravessou diferentes intervenções e preparou o terreno para as falas das convidadas.
Sandra Kennedy destacou o compromisso do governo federal com o enfrentamento ao feminicídio. “Enfrentar a violência contra as mulheres é uma prioridade. Precisamos garantir políticas públicas que cheguem na ponta e fortaleçam a vida das mulheres, especialmente nas periferias”, afirmou.
Na mesma direção, Carli Sena da Cunha ressaltou o papel da organização coletiva. “A luta das mulheres é histórica e coletiva. É na organização popular que a gente encontra força para enfrentar as desigualdades e construir mudanças reais nos nossos territórios”, disse.

Elisa Estroniolli chamou atenção para a realidade das mulheres que vivem nos territórios mais afetados pelas desigualdades sociais. “As mulheres desses territórios são também as que mais resistem. Fortalecer essas mulheres é fundamental para transformar a sociedade”, pontuou.
Melissa Vieira reforçou o protagonismo das mulheres do campo e das periferias. “As mulheres estão na linha de frente da luta por direitos, seja no campo ou na cidade. É preciso garantir condições dignas de vida e cuidar também da saúde mental dessas mulheres”, destacou.
Para Raimundo Bonfim, é urgente colocar no centro do debate temas como a violência contra as mulheres, o feminicídio e a saúde mental nas periferias. Ele destacou a necessidade de fortalecer o discurso e a consciência coletiva sobre essas pautas, para que elas não sejam silenciadas nem tratadas como secundárias.
A programação segue neste sábado (2) com debates e oficinas voltadas à formação política, à troca de experiências e ao fortalecimento da organização nos territórios. No domingo (3), a plenária final elege a nova direção nacional do coletivo de mulheres da CMP, consolidando este novo ciclo de mobilização e luta popular.














