O segundo dia do Seminário Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e pela Saúde Mental das Mulheres nas Periferias, organizado pelo Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP), foi marcado por discussões para enfrentar a violência contra as mulheres, combate ao racismo, direitos sociais economicos, além do bem viver.
Verônica Ferreira, professora da UFRN e representante do Conselho Federal de Serviço Social, abriu o debate alertando que o país vive um momento de extrema gravidade para a integridade feminina. Para a professora, “esse índice escalonado de feminicídio tem a ver com uma grande reação patriarcal, que é parte de uma ofensiva capitalista, extremamente racista contra a vida das mulheres, que aciona o poder dos homens”. Ela enfatizou a necessidade de aproveitar o processo eleitoral para pautar campanhas voltadas ao enfrentamento da violência, defendendo políticas que integrem tanto a proteção e a prevenção quanto o fortalecimento da autonomia econômica e educacional das mulheres.
Dando continuidade ao debate sobre o impacto das urnas, Bruna Camilo, doutora em gênero e dirigente nacional da CMP, destacou que o pleito atual será definidor devido ao avanço de discursos violentos e misóginos na política. Ela destaca que é fundamental que as pautas eleitorais foquem na preservação da vida e da saúde, mas indo além da punição penal. Ela afirmou que “a gente precisa pensar na educação dos homens, na educação dos meninos para que essa violência seja quebrada. A proteção que buscamos deve abranger tanto o aspecto físico quanto o mental”.

Maria Helena Guarezi, assessora especial da Secretaria Nacional de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI/PR), também compôs os debates e defendeu que o combate ao feminicídio não deve ser uma pauta isolada das mulheres, mas sim um compromisso de toda a sociedade e dos movimentos populares. Em sua fala, Guarezi destacou a importância de espaços como o da CMP para fortalecer a voz feminina: “não nos enganemos, a gente acha que determinadas questões são só para as mulheres, mas não são. Esse debate é um debate que foi feito pelas mulheres, mas deverá ser feito também pelos homens”. Ela também pontuou que o objetivo final é garantir o direito à “vida em abundância”, onde as mulheres possam se expressar sem medo e manter sua postura de resistência.
Pela tarde, o seminário seguiu com oficinas e trabalhos em grupo. Entre as discussões, o grupo de saúde mental defendeu a criação de uma rede nacional de atendimento 24 horas em saúde mental, priorizando mulheres em sofrimento psíquico; além da implantação de atendimento de uma equipe multiprofissional com psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, psicanalistas e ass istentes sociais.

Outros grupos debateram os desafios das políticas públicas, com foco central no fim da escala 6×1 e na redução da jornada de trabalho para melhorar a qualidade de vida das mulheres. Houve ainda abordagens em torno da organização das mulheres negras e periféricas, políticas de cuidados e organicidade dos Coletivos Estaduais e Nacional da CMP.
O evento encerra suas atividades neste domingo com a eleição da coordenação nacional do Coletivo de Mulheres da CMP.