CMP faz primeira reunião do ano e aponta os principais desafios para 2021

A Central de Movimentos Populares (CMP) realizou nesta quinta-feira (14) a primeira reunião deste ano de sua direção nacional. O objetivo do encontro foi debater a conjuntura e apontar as prioridades da entidade para 2021. Para contribuir com a análise dos principais problemas do Brasil e desafios dos movimentos populares, a entidade convidou o ex-ministro do governo Dilma, Aloizio Mercadante. O fortalecimento da agenda pelo impeachment do presidente Bolsonaro, o alerta para o risco de um golpe e a restituição dos direitos políticos do presidente Lula foram temas debatidos na reunião.

Durante o encontro, a conquista do auxílio emergencial no ano passado foi considerada como uma das vitórias dos movimentos sociais e partidos de esquerda para fazer frente às dificuldades enfrentadas pela população em situação de vulnerabilidade, mas o fim do auxílio para este ano foi duramente criticado pela direção nacional da CMP. Sem ele, milhões de pessoas serão condenadas à fome. Mercadante disse que o auxílio emergencial foi fundamental, mas com o fim do benefício em dezembro, “iremos para um abismo social. O povo vai encontrar uma situação em que a pandemia está voltando, o risco de vida está aumentando, as pessoas estão mais expostas. A fome vai bater pesado na periferia e junto com a fome, a violência ligada à miséria e à pobreza”, analisou o ex-ministro.

“O auxílio emergencial foi o que garantiu a sobrevivência de milhões de pessoas. Agora precisamos instituir uma renda básica permanente para o povo sem emprego e sem renda. Estamos falando em manutenção da vida”, afirmou Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP.

A luta pela vacinação já, gratuita para todas e todos foi apontado como uma das lutas prioritárias da CMP para o início de 2021. O ex-ministro Mercadante avaliou esta luta como “questão central” e que “o governo não planejou, não coordenou e não tem sequer competência para isso”. Sobre a disputa entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente Bolsonaro a respeito da vacina, Mercadante disse que “é uma leviandade, irresponsabilidade absurda”.

Outras bandeiras de lutas da CMP apontadas na reunião e que vão caminhar em paralelo com a Renda Básica Permanente e a vacinação serão o combate ao racismo, à violência contra a mulher, contra a juventude negra e a população LGBTIQ+, bem como a denúncia do desmatamento na Amazônia, a destruição do meio ambiente e a invasão das terras indígenas e quilombolas. Para a área da habitação, a direção nacional elencou a necessidade de um programa de construção de moradias populares, melhorias, urbanização e regularização fundiária.

Os membros da direção nacional deliberaram também pela necessidade de um programa emergencial de produção de alimentos para enfrentar a fome, especialmente nas periferias urbanas. Para propiciar a geração de emprego e renda, foi defendido um programa de obras públicas, como construção de creches, escolas, hospitais, centros culturais. Além das construção de obras públicas, a CMP defende que a geração de empregos também passa por concessão de crédito barato para o pequeno e médio empresário”.

A taxação de grandes fortunas, tema de uma grande campanha lançada no ano passado pelas Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, da qual da CMP faz parte, é outra bandeira de luta apontada pela CMP, como forma de distribuição das riquezas, combate à desigualdade social e investimento em políticas sociais. O tema fez parte da intervenção de Mercadante que disse que “não há saída para a crise se não taxarmos os hiper ricos. Precisamos colocar essa questão da taxação dos ricos, das grandes fortunas, das grandes heranças, dos ganhos de capital como questão central da luta política”, defendeu.

Além de todos os desafios apontados pela CMP que envolvem o enfrentamento à ultradireira, ao projeto ultraneoliberal em processo no país, os retrocessos nos direitos sociais, a luta pelo Impeachmnet de Bolsonaro, a restituição dos direitos políticos do ex-presidente Lula, a direção da entidade deliberou intensificar em 2021 ações voltadas para questão organizativa, formação política, comunicação e mobilização. A CMP e Fundação Perseu Abramo se comprometeram a realizar nos próximos dias uma reunião para firmar uma parceira na área da formação política e comunicação.

CEF completa 160 anos e entidades e movimentos populares intensificam a luta em defesa da Caixa 100% pública

A Caixa Econômica Federal (CEF) completa 160 anos de fundação nesta terça-feira ao mesmo tempo em que diversas entidades e movimentos populares  intensificam suas lutas contra o plano de privatização e  desmonte do banco que tem sido referência  fundamental para o desenvolvimento econômico, social e cultural do Brasil. Há muito tempo os governos de direita tentam privatizar a Caixa, mas é no governo ultraneoliberal e privatista de  Bolsonaro que o banco tem sofrido maiores ataques.  

A CEF tem protagonismo histórico  em várias áreas: econômica, ambiental, política, cultura,  alimentar e habitacional. É referência na operacionalização de várias políticas públicas de inclusão social, como o Bolsa Família e MCMV.  É o Banco mais estratégico do país, financia e realizada sonhos, como o da casa própria, e viabiliza projetos culturais , alavancando o desenvolvimento econômico do país.

Ao falar sobre a importância da CEF, o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sérgio Takemoto, destaca o papel da instituição no pagamento do auxílio emergencial. “A Caixa garante as políticas públicas que atendem a população mais vulnerável do país. A crise do coronavírus mostrou que, se não fosse o banco público, ficaria inviável o pagamento do auxílio emergencial e de todos os outros programas sociais. Um contingente de 120 milhões de brasileiros foi atendido praticamente em tempo recorde. A lição aprendida dessa mobilização é a de que o Brasil precisa de um banco público forte, sólido e competitivo, capaz de dar conta tanto da concorrência privada quanto de suas responsabilidades sociais”, afirma Sérgio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), em entrevista ao portal da instituição.

Ao lado da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a Central de Movimentos Populares (CMP) e várias outras entidades dos movimentos populares têm feito frente ao projeto ultraneoliberal representado pelo presidente Jair Bolsonaro para a entrega de mais este patrimônio do povo brasileiro. O coordenador nacional da CMP  Raimundo Bonfim, afirma que “a CMP está nesta luta em defesa da Caixa 100% pública, em defesa de um banco popular que tenha os interesses da população acima dos interesses privados, acima dos interesses capitalistas.”

Ações de solidariedade da CMP continuam em 2021

Entidades filiadas à Central de Movimentos Populares (CMP) continuam com ações de solidariedade às famílias afetadas pela crise do capitalismo e pelo coronavírus. Em 2020 a CMP liderou a campanha de solidariedade “Movimentos Contra a Covid-19”, com ações de arrecadação e distribuição de cestas básicas, quites de higiene e limpeza, máscaras de proteção e apoio a iniciativas de cozinhas comunitária, além de palestras de conscientização para prevenção do vírus.

Em 2020 a Central de Movimentos Populares também participou da mobilização para garantir o auxílio emergencial no valor de R$ 600; das Campanhas Despejo Zero e Taxar Fortunas para Salvar Vidas. Nos últimos dias de 2020 e já em 2021, a CMP promoveu ações de solidariedade em várias partes do país, a exemplo da capital de São Paulo.

Por meio da articulação da CMP, várias famílias de comunidades carentes receberam cestas básicas, tais como: Grajaú, Jardim Nova Vitória, Vila Bela, Vila Progresso, Limoeiro, Favela São Remo, Real Parque e Heliópolis. Entidades de base como o Ceprocig (Centro de Promoção Resgaste à Cidadania Grajaú Paulo VI) e Associação Nova Heliópolis coordenam a seleção das famílias e distribuem cestas básicas no Grajaú e no Heliópolis.

Bolsonaro acabou com o auxílio emergencial , o que deixa milhões de pessoas sem renda. Com a ausência de um plano emergencial de produção de alimentos, houve a volta da carestia dos produtos e, isso somado ao aumento de aluguel, tem levado o povo das periferias urbanas a passar fome.

“Diante do avanço da Covid-19 e do quadro de miséria, desemprego, falta de renda e fome, em 2021, continuaremos com as ações de solidariedade, na luta por uma Renda Básica Permanente e pela vacinação gratuita para todos e todas”, afirma Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP.

Nunca um presidente da República cometeu tantos crimes de responsabilidade

Por site Brasil 247:

Rede Brasil Atual – “Nunca houve tantos pedidos de impeachment contra um presidente da República. Tampouco nunca um presidente cometeu tantos crimes de responsabilidade.” A constatação é do mestre em Direito Público, Mauro Menezes, que redigiu dois dos 59 pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro. Advogado em Brasília, Menezes, ex-presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, ressalta que é farto o cometimento de crimes de responsabilidade pelo atual presidente da República.

“São atos que atentam à Constituição Federal e que portanto já justificariam a abertura e o processamento dos pedidos de impeachment em relação a Jair Bolsonaro. Se isso ainda não aconteceu, temos aí sintoma bastante significativo do adoecimento das instituições”, avalia o jurista. “Temos uma enfermidade do nosso sistema constitucional que se revela quando o presidente da República que comete tantos atos atentatórios contra a Constituição, permanece no cargo sequer respondendo ao processo decorrente das denúncias que já foram apresentadas.”

O jurista menciona as duas denúncias das quais faz parte. Uma delas subscrita por presidentes de partidos políticos, parlamentares, juristas, em maio de 2020. A outra apresentada pelos movimentos populares e subscrita por juristas, integrantes da sociedade civil. “Elas são capazes de sumarizar a gravidade desses atos praticados pelo presidente da República”, afirma.

Sabotagem no combate à covid-19

Assim como o jurista Pedro Serrano, Menezes considera “questão central” a atuação de Bolsonaro voltada à sabotagem das políticas públicas de combate à pandemia da covid-19. “Esse é um ponto que se enquadra na previsão legal da lei 1.079 como crime de responsabilidade contra o livre exercício de direitos políticos individuais e sociais, crimes contra a segurança interna do país e crime contra a própria existência da União”, explica.

O jurista Mauro Menezes reforça a atuação e pronunciamentos irresponsáveis do presidente da República, em caráter antagônico e contraproducente ao esforço dos próprios organismos estatais de defesa da saúde e da integridade da vida das pessoas. “E isso tudo em absoluta dissintonia com a gravidade da disseminação, em território nacional, da pandemia do novo coronavírus. Uma atuação do presidente da República em atentado ao bem-estar e a proteção da vida e da saúde dos brasileiros. Com menosprezo à gravidade da emergência de saúde que o próprio governo federal decretou.”

Para o advogado, há uma intencional sabotagem das cautelas sociais, das medidas indispensáveis à contenção dos efeitos devastadores dessa catástrofe que é a pandemia do novo coronavírus. “Chegamos ao ponto agora de uma atitude negligente, leniente em relação à aquisição e distribuição da vacina, dos insumos necessários para sua aplicação. Tudo isso conduz a essa conclusão de que temos aí uma atuação muito séria que justifica o pedido de impeachment.”

Sequência de atos indesejados

Menezes lembra, ainda, o apoio ostensivo do presidente da República, e atos por ele praticados, diretamente no sentido de fomentar manifestações de índole antidemocrática, afrontosas à Constituição, de desafio à integridade dos poderes, do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Tudo com a perspectiva de supressão de liberdade democráticas. Isso, de fato, constitui uma sequência de atos indesejados pela Constituição e que colocam em xeque o Estado Democrático de Direito. Sem falar no constante tensionamento e na subtração de elementos essenciais para que estados e municípios desenvolvam políticas de saúde no contexto da pandemia”, acusa. “Isso ofende também a própria perspectiva de uma federação harmônica em nosso país. E consiste, portanto, em crimes de responsabilidade quanto ao livre exercício dos poderes Legislativo e Judiciário. E os poderes constitucionais do Estado. Isso está na lei 1.079”, reforça.

Não bastassem esses elementos, denuncia Mauro Menezes, existem denúncias já feitas em relação à interferência do presidente da República no que diz respeito a investigações voltadas a integrantes de sua família. “E aí nós temos crime de responsabilidade contra a probidade da administração. Tudo isso foi levado ao conhecimento da Câmara dos Deputados com vistas à abertura do processo de impeachment de Jair Bolsonaro.”

Aderência de Maia à agenda econômica

Questionado sobre a postura do ainda presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Menezes afirma que precisamos compreender a ambivalência que caracteriza a conduta do parlamentar diante das políticas governamentais e das atitudes do atual presidente da República. Maia arquivou quatro pedidos de impeachment contra Bolsonaro, em mantém outros 55 em análise.

“Se por um lado Rodrigo Maia é alvo de ataques da ala ideológica do governo Bolsonaro e também experimenta várias atitudes de menosprezo e até de deslegitimação por parte do governo federal, do ministro da Fazenda e de outros ministérios, temos de considerar que há uma aderência integral de Maia à linha econômica adotada pelo governo”, aponta o advogado. “É justamente essa contradição que explica a hesitação e até mesmo a negligência de Maia em promover a admissibilidade e o processamento do pedido de impeachment. Se de um lado existe um mal-estar em relação às atitudes de ataques institucionais que são empreendidos pelas instâncias do governo e pelo próprio presidente da República, de outro lado, do ponto de vista político, Maia se alinha de maneira bastante intensa à política econômica do atual governo.”

Nesse momento, avalia o jurista, fala muito alto o desejo dos setores da economia, que se veem representados por Rodrigo Maia, em fazer com que essa política não sofra interrupções, ainda que a custo do exercício da Presidência da República por parte de alguém inepto, irresponsável e promotor de uma política calamitosa em vários setores da vida social brasileira.

Esvaziamento das políticas públicas

O advogado ressalta outro elemento muito relevante que o impeachment dos movimentos sociais sublinhou. “Houve um processo bastante pernicioso de esvaziamento de políticas públicas que emanam da Constituição. Políticas públicas de proteção à saúde, de defesa dos direitos humanos, de proteção ao meio ambiente, aos índios, de proteção e não discriminação às minorias, aos grupos vulnerabilizados.”

Menezes lembra que essa série de políticas públicas vêm do texto constitucional. E que o atual governo, por meio do presidente da República e ministros de Estado, vem desconstruindo o que foi feito ao longo dos anos e em obediência à Constituição para valorizar o trabalho, o meio ambiente, a saúde, a educação, a cultura, os direitos humanos. “Tudo isso vem sendo sistematicamente atacado, Daí porque nós temos também algo que violenta direitos individuais, direitos sociais, que têm status constitucional. E isso constitui, sim, de acordo com a lei 1.079, mais um elemento central para o pedido de impeachment.”

Vai ter impeachment?

Sobre a real possibilidade de instalação de um processo de impeachment, Mauro Menezes considera que há muitos fatores, incluindo a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, que serão decisivos em relação ao ambiente perante o qual os pedidos de impeachment poderão progredir ou estacionar na Câmara dos Deputados ou no Congresso Nacional. “É algo que depende muito até da dinâmica da insatisfação popular com a atitude irresponsável e criminosa do governo federal em retardar a vacinação da população. São elementos que como jurista não tenho condição de avaliar.”

Em relação à situação de Flavio Bolsonaro, afirma, existe um processo judicial em curso, que envolve o Supremo Tribunal Federal, em investigação empreendida pelo Ministério Público no âmbito do estado do Rio de Janeiro. “Também são fatores que podem representar uma derivação do agravamento da situação de instabilidade do presidente Bolsonaro no cargo.”

Delegado da PF que algemou o pai do Programa Nuclear Brasileiro é preso por corrupção

Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso pela Lava Jato, vítima da truculência da Polícia Federal

Por PT Nacional:

Em artigo, o jornalista Luís Nassif relembra a farsa da prisão do Almirante Othon Pinheiro, condenado num processo indecente, aberto a partir de informações entregues pela Lava Jato por advogada do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. “É mais um capítulo da enorme degradação do sistema judicial brasileiro com a parceria pornográfica entre juízes, delegados e repórteres”, lamenta o jornalista.

Luis Nassif

Um dos episódios mais indignos da Lava Jato foi a operação de prisão do Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, 76 anos.

Numa ponta, um almirante com enorme folha de serviços ao país, principal responsável pelo domínio que o Brasil passou a ter sobre uma fonte de energia relevante, a nuclear.

Na outra, um delegado da Polícia Federal, Wallace Fernando Noble Santos, com o poder absoluto assegurado por uma Justiça indecentemente parcial e uma mídia que se transformara em repassadora de pré-releases da operação.

O inquérito de Othon foi aberto a partir de informações entregues à Lava Jato por uma advogada do Departamento de Justiça americano, que até um ano antes servira ao maior escritório de advocacia que atendia a indústria nuclear americana.

O delegado chegou ao apartamento do Almirante Othon e alertou que, se não abrisse a porta, ela seria arrombada. Indignado, Othon reagiu. Com dois pontapés, Noble arrombou a porta.

Segundo o policial, Othon teria avançado sobre a equipe. O valente Noble, com a ajuda de um agente, derrubou e algemou o Almirante, de 76 anos, que gritava que, na condição de vice-almirante da Marinha, deveria haver no mínimo um vice-almirante no local. Preso e algemado, Othon era vítima de apenas uma operação de busca e apreensão.

Noble respondia ao então juiz Sérgio Moro.

Ontem, uma operação da Lava Jato Rio de Janeiro prendeu o delegado Noble, sob a acusação de vender proteção aos grandes criminosos. Advogados atuavam como intermediários, vendendo proteção a empresários e repartindo a propina com policiais como Noble.

É mais um capítulo da enorme degradação do sistema judicial brasileiro com a parceria pornográfica entre juízes, delegados e repórteres.

Publicado originalmente no Portal GGN.

Recorde de Bolsonaro e Temer: 14 milhões de famílias estão na miséria

Por site Brasil 247:

Um balanço divulgado pelo Ministério da Cidadania apontou que o número de famílias em extrema pobreza cadastradas no CadÚnico (Cadastro Único para programas sociais do governo federal) superou 14 milhões e alcançou o maior número desde o final de 2014. De acordo com a pasta, o total de pessoas na miséria no Brasil equivale a cerca de 39,9 milhões de pessoas atualmente. São consideradas famílias de baixa renda aquelas que sobrevivem com até R$ 89 por pessoa (renda per capita). Além das famílias na miséria, havia em outubro outras 2,8 milhões de famílias em situação de pobreza, com renda per capita média de moradores entre R$ 90 e R$ 178.

Os números refletem o fracasso da agenda neoliberal após o golpe de 2016 contra Dilma Rousseff. Naquele mesmo ano, Michel Temer formou um governo que aprovou o congelamento de investimentos públicos, além do corte de direitos sociais e trabalhistas.

Segundo reportagem do jornalista Carlos Madeiro, no portal Uol, durante o governo Jair Bolsonaro, o número de famílias cadastradas em extrema pobreza aumentou em 1,3 milhão. Eram 12,7 milhões em dezembro de 2018, último mês do governo de Michel Temer.

Os dados mais atualizados do Bolsa Família apontaram eram 14,3 milhões de famílias aptas e aprovadas no programa em novembro. A média do valor pago naquele mês foi de R$ 329,19. Com o fim do auxílio emergencial (valores que variaram de R$ 300 a R$ 1.200 por mês), essa média baixará para R$ 190, como era antes da pandemia.

Com fim do auxílio emergencial, fome ronda as favelas

Por: Rede Brasil Atual

Com barracos e pratos vazios, ONG Rio de Paz vai fazer um protesto nesta quarta-feira (9), em Brasília, denunciando o avanço da fome nas comunidades

São Paulo – A primeira semana de dezembro registrou recrudescimento da pandemia no Brasil. Foram 4.067 mortes registradas pela doença, maior número desde outubro. Esse período também marca o pagamento da última parcela do auxílio emergencial. Desde outubro, o auxílio de R$ 600 já havia sido reduzido pela metade. Agora, sem emprego e sem renda, as famílias que moram nas periferias aguardam com apreensão a chegada do novo ano.

Enquanto isso, o governo do presidente Jair Bolsonaro parece habitar uma realidade paralela. Em vez de buscar alternativas que garantam a sobrevivência das famílias mais pobres, ele e a primeira-dama Michelle inauguraram nesta segunda-feira (7) uma exposição com as roupas usadas na posse.

Após discussões ao longo do ano sobre um programa que poderia substituir o Bolsa Família, com valor maior e alcançando um número mais amplo de famílias, o governo acabou desistindo da criação da chamada Renda Cidadã – ou Renda Brasil. “Pergunta para o vírus”, foi a resposta do presidente, quando questionado sobre a possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial.

Para demonstrar a situação desesperadora dos moradores das favelas e pressionar o governo, a ONG Rio de Paz prepara uma manifestação nesta quarta-feira (9) em Brasília. Na Esplanada dos Ministérios, serão erguidos barracos, além de uma mesa de 5 metros cheia de pratos vazios, ocupada por famílias que dependem do auxílio emergencial.

Crise e fome

Por outro lado, o quadro social crítico é agravado pelo falta de opções de trabalho. Ainda antes da redução do auxílio, o desemprego atingiu recorde de 14,6% – cerca de 14 milhões de pessoas – no trimestre encerrado em setembro. Com a flexibilização das medidas de isolamento, mais pessoas saíram à procura de uma ocupação.

Além disso, as famílias sofrem ainda com o aumento do preço dos alimentos. O valor da cesta básica registrou alta de 35% nos últimos 12 meses. Ou seja, em pelo menos cinco capitais do país o auxílio de R$ 300 reais não compra sequer metade da cesta com os produtos essenciais.

Nos últimos anos, ainda antes da eclosão da pandemia, o IBGE já havia registrado aumento da ameaça da fome no Brasil. No período 2017-2018 – ou seja, após o impeachment de Dilma Rousseff –, 36,7% dos domicílios do país enfrentavam algum grau de insegurança alimentar. Já o grau considerado grave de insegurança alimentar atingia 3,1 milhões de pessoas.

Depoimentos

Nas redes sociais, a campanha #NãoAoFimDoAuxilioEmergencial colheu depoimentos de famílias que temem pela futuro com o término dessa ajuda. Patricia, moradora da comunidade do Quiabo, na Vila Kennedy, zona oeste do Rio de Janeiro, conta que ela e o filho estão desempregados. O dinheiro do auxílio serve para comprar alimentos e fraldas para a neta que tem menos de um ano. “Se eu perder o auxílio emergencial, o que será de mim? Só a misericórdia”, lamenta.

“Se acabar, eu não sei o que vou fazer”, afirma Raquel Xavier Soares, de 36 anos, desempregada, mãe de 7 filhos. Moradora da mesma comunidade, ela conta que o marido vive de “biscate”. “Quando está chovendo, não tem serviço.” Ela também usa o auxílio para “comprar arroz e feijão para as crianças”.

“Se o auxílio acabar, muitas pessoas vão passar necessidade”, relata “William Elber Campos Rodrigues, de 25 anos, que também vive numa das comunidades do Rio. “A gente quer a nossa carteira assinada, para conseguir nos manter e conquistar nossos objetivos”, conta ele. Mas a mãe do seu filho também está desempregada, vivendo apenas do auxílio emergencial.

Segundo o presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, acabar com auxílio emergencial “é crime”. “Estamos dentro da favela, visitando barracos e ouvindo moradores. Vai bater desespero no desempregado. Desempregado não por ser vagabundo, como se costuma rotular o pobre que não trabalha. Mas por não encontrar emprego, por mais que se esforce. Essa dívida social é do Estado brasileiro, e só pode ser paga por ele”, afirmou.

Alternativas

Segundo dados do Ministério da Cidadania, mais de 66 milhões de pessoas recebem o auxílio emergencial. Se considerados todos os integrantes das famílias, são cerca de 126 milhões de pessoas que dependem desses recursos. Esse número corresponde a 60% da população do Brasil. Contudo, às vésperas do Natal e do Ano Movo, o cenário é de “angústia” para essas famílias, com o fim do auxílio.

“Diante da falta de renda, aumento do desemprego e continuidade da pandemia, o cenário nas favelas e periferias é de desespero”, afirmou o coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, que apoia o protesto.

Ele destacou que são neste locais que a fome atinge mais fortemente as pessoas, principalmente as mulheres, a população negra e a juventude. Também citou o empobrecimento da população diante da alta do preço dos alimentos. “Continuamos com as ações de solidariedade aos grupos mais vulneráveis, mas infelizmente não tem sido suficiente para matar a fome de milhões de pessoas.”

Para enfrentar a fome e a miséria, a CMP e outras 300 entidades que compõe a Rede Brasileira de Renda Básica (RBRB) lançaram a campanha “A Renda Básica que Queremos”. O projeto, que está aberto para consulta pública, pretende instituir um auxílio permanente de R$ 600.

Movimentos populares e sociais lançam projeto que institui renda básica universal

A Central de Movimentos Populares (CMP) e mais de 300 organizações sociais lançaram, no último dia 23, um Projeto de Lei (PL) que institui a Renda Básica Permanente para enfrentar o crescente aumento da pobreza no país.

O PL integra a campanha “A renda básica que queremos”, que abriu uma consulta pública para receber contribuições ao projeto. Para acessar o PL e participar da consulta pública acesse: https://www.rendabasica.org.br/

Os interessados podem enviar suas contribuições até o dia 10/12/2020.

Nota de pesar da Central de Movimentos Populares – Brasil

Neste 25 de novembro de 2020, a Central de Movimentos Populares (CMP) manifesta seu pesar e sentimento diante da morte de Diego Maradona, uma lenda do futebol que fez história dentro e fora dos gramados. Com habilidade, técnica e muita paixão em campo, Maradona encantou o mundo com a camisa 10 da seleção argentina e pelos clubes por que passou. Mas não apenas por isso se notabilizou: Maradona foi um gigante na defesa dos povos e dos direitos.

Destoando de um meio que sobrevaloriza a competição, a prosperidade individual e a ostentação, Maradona sempre esteve ao lado daqueles que sofrem e em defesa de um outro mundo possível.

Com Fidel, Chaves, Evo, Lula e tantas outras lideranças populares, Maradona entregou o melhor de si, para o que há de melhor na vida: a luta por uma América Latina soberana e socialista.

Que sua memória nos inspire a seguir caminhando, e que nossa homenagem se expresse dia a dia num profundo, apaixonado e sincero engajamento contra a exploração capitalista e todas as formas de opressão.

Diego Maradona, presente!

20 de Novembro é mais um dia de resistência e luta

No Dia da Consciência Negra, a CMP denuncia o genocídio contra a população negra no país, principalmente os jovens das periferias e, de forma veemente, repudia a morte do soldador João Alberto Silveira Freitas, um negro de 40 anos, covardemente agredido até o óbito, na noite de ontem, por seguranças no supermercado Carrefour, em Porto Alegre (RS), na véspera do Dia da Consciência Negra.

A morte de João Alberto se soma às mais de 63 mil mortes de jovens brasileiros no país, sendo que mais de 70% são negros. Além da agressão e assassinado, a população negra sofre também com o desemprego, a crise econômica no país e o desmonte de políticas sociais, o que tem agravado a desigualdade social, causada em parte pela pandemia do coronavírus, mas principalmente pela política econômica ultraliberal do governo Bolsonaro.

O racismo mostra-se também na questão salarial. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, o salário médio dos trabalhadores negros foi 45% menor do que o dos brancos; entre as mulheres a situação é mais grave, a média salarial chegou a ser 70% menor do que das mulheres brancas.

“Este 20 de Novembro é mais um dia de luta e resistência. Mais um dia de luta contra a política econômica e genocida de Jair Bolsonaro, que governo contra o povo pobre e incentiva o racismo”, afirma Raimundo Bonfim, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP).