CMP participa de lançamento da pré-candidatura de Lula

A Central de Movimentos Populares (CMP) participou no sábado (7) do lançamento da pré-candidatura Lula-Alckmin à Presidência da República, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reuniu cerca de 4 mil pessoas e contou com a participação de lideranças sociais, sindicais e dos partidos apoiadores da chapa.

Para o coordenador nacional da CMP, Raimundo Bonfim, o momento foi histórico porque marcou o ápice de toda a luta que os movimentos populares têm protagonizado contra o desgoverno de Jair Bolsonaro. Bonfim conta que cerca de 30 militantes da CMP participaram do lançamento do Movimento “Vamos juntos pelo Brasil”. Ele disse ainda que foi difícil conter as lágrimas no momento em que foi apresentado ao público o novo clipe da pré-campanha presidencial de Lula, uma releitura do famoso jingle “Lula Lá, uma estrela brilha”, usado na campanha de 1989. ( Veja aqui)

“Reviver o que passamos há 33 anos diante deste difícil contexto com milhares de pessoas desempregadas, passando fome e na miséria, foi como se eu tivesse voltado em 1989.  Ainda mais depois de um processo de perseguição política que envolveu a prisão injusta do ex-presidente. Ele passou 580 dias preso. Chegar ali e ver aquela releitura, com artistas novos, foi emocionante demais”, disse o coordenador da CMP.

Questionado sobre o papel dos movimentos populares na campanha de Lula à Presidência após o evento de sábado, Raimundo destaca que o campo progressista tem a compreensão de que não existe eleição ganha por antecedência. E, por essa razão, os movimentos populares e sociais seguirão mobilizados para vencer a eleição, depois assegurar a posse e, por último, fazer com que o próximo governo seja o mais progressista possível. “A burguesia, representada no Congresso pelos partidos do chamado Centrão, vai resistir a qualquer tentativa de mudança. Não vão querer, por exemplo, a revogação da reforma trabalhista e da Previdência. Será necessária muita pressão popular. Por isso, nosso papel é e será fundamental”.

Assista abaixo a entrevista que o coordenador da CMP concedeu sobre o lançamento da pré-candidatura de Lula à presidência da República ao Brasil 247:

CMP realiza seminário para debater direito à cidade, meio ambiente e soberania alimentar

Encontro teve como objetivo de sistematizar pautas de lutas para o Rio+30 e o Fórum Social Pan Amazônico

A Central de Movimentos Populares (CMP) realizou no sábado (30) o Seminário Direito à Cidade, Meio Ambiente e Soberania Alimentar, um evento preparatório para a Conferência Popular pelo Direito à Cidade a ser realizada no próximo mês de junho. Na primeira etapa do encontro, especialistas e lideranças de movimentos, debateram as correlações entre a luta pelo direito à cidade e os temas voltados a defesa do meio ambiente e soberania alimentar. Já no segundo bloco do evento, foram apresentadas experiências de atuação da CMP em diferentes regiões do país. A atividade é preparatória para outros dois grandes eventos que têm relação com o tema que é a Cúpula dos Povos Rio+30 e o Fórum Social Pan Amazônico.

Logo no início do Seminário, que foi realizado de forma virtual com mediação do coordenador estadual da CMP de São Paulo, Hugo Fanton, o coordenador nacional da CMP, Raimundo Bonfim, declarou aos debatedores e internautas que as crises provocadas pelo capitalismo são profundas no Brasil e no mundo. Por essa razão, segundo ele, os movimentos populares precisam avançar com o debate do acesso à água, do saneamento, da comida no prato, do meio ambiente e da moradia. “O desfecho desse nosso encontro será a produção de uma plataforma que a gente possa usar para incidir nos governos com as nossas pautas”.

Ocupação em áreas de proteção mananciais
A arquiteta Ermínia Maricato, urbanista do BR Cidades, foi a primeira a expor no Seminário os prejuízos que a ocupação irregular em áreas de proteção e recuperação dos mananciais trazem ao meio ambiente. Segundo ela, o Brasil vive uma verdadeira tragédia neste sentido, uma vez que água está sendo colocada em risco com a poluição. No entanto, ela destaca que a maior parte da população brasileira não tem acesso a moradia e sem um projeto habitacional para atendê-las, a única alternativa é a ocupação, que em alguns casos ocorrerem em áreas de proteção dos mananciais.

“Essas pessoas não são inimigas do meio ambiente. Elas não querem poluir a nossa água. Elas ocupam esses territórios porque simplesmente não têm onde morar e ninguém mora no ar. Se não tiver uma reforma latifundiária, se não tiver acesso à terra urbanizada, nós não vamos salvar nada nunca. Precisamos usar o solo para impedir a ocupação predatória ao mesmo tempo que você tem uma política habitacional democrática. Para isso, é muito importante a organização da sociedade para a recuperação da democracia no Brasil”, destacou.

Insegurança alimentar
A preocupação da volta da carestia e da fome, em um Brasil com mais de 116 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e outras 19 milhões passando fome, foi abordada pelo urbanista Tarcísio de Paula Pinto. Durante a sua apresentação, ele chamou atenção para a qualidade da comida que está sendo consumida pela população brasileira. Segundo o especialista, nas décadas de 70 e 80, cerca de 60% dos resíduos urbanos produzidos no país eram orgânicos. Hoje, esse número é de 40%. E isso significa que a população está consumindo muito mais produtos industrializados.

O urbanista relatou ainda que as cidades brasileiras abrigam cada vez mais aterros sanitários privados. De acordo com ele, São Paulo já tem mais de 340 unidades e, depois do Pará e da Amazonas, é o estado que mais emite gases responsáveis pelo efeito estufa. “Essas questões, dos aterros privados e da emissão de gases, têm tudo a ver com o direito à cidade, precisam ser debatidas pelos movimentos populares e temos que lutar para ganhar espaço no plano diretor dos municípios. Infelizmente, o mercado está impondo goela abaixo esses aterros e a vaselina para isso acontecer se chama Ministério Público”.

Ao final de sua apresentação, Tarciso expôs iniciativas de sucesso que colaboram com o combate à fome. Com o apoio dos movimentos populares e com forte atuação das mulheres, diversas cidades já implantaram em seus territórios projetos de hortas comunitárias como, por exemplo, Sete Lagos (MG), Maricá (RJ), Curitiba (PR), Araraquara (SP), entre outras.  “São projetos que viraram lei, foram instituídas e governo nenhum mexe mais”, pontuou.

Protagonismo feminino
Mirian Nobre, militante da Marcha Mundial de Mulheres falou, entre diversos temas, sobre o protagonismo das mulheres na produção e preparação dos alimentos saudáveis. Entretanto, por conta de jornadas duplas e, em alguns casos, até triplas, muitas têm o seu tempo sequestrado e acabam sendo empurradas para os ultra processados, com gorduras hidrogenadas e o resultado é o sobrepeso associados a outras comorbidades.

Contudo, Miriam lembrou que durante a pandemia surgiu uma quantidade de iniciativas boas com muitas ações de solidariedade, que acabaram envolvendo a distribuição de comida saudável. “O nosso desafio agora é continuar levando esses alimentos nutritivos para as pessoas de periferia que têm baixa renda. E neste sentido, a gente entende que a ajuda do poder público é fundamental. Por que não uma parceria público-popular para aproximar o campo da cidade? Por que não ter barracas de agricultores em todas as feiras da cidade? Será que a gente não pode criar relações diretas?”, propôs a militante aos presentes.

Mineração x direito à cidade
A violação praticada contra os atingidos por barragens foi pauta da exposição feita pelo geógrafo Yuri Paulino, membro da direção nacional do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB). Durante a sua apresentação, ele explicou que o conceito de atingido é ampliado e não se refere apenas a pessoa que foi ou está na zona de influência de determinado empreendimento. Mas sim a todos que estão sendo explorados pelo sistema capitalista.

Segundo Paulino, os empreendimentos têm atuação que interferem no direto à cidade. Eles são responsáveis pela expulsão de muita gente de seus territórios. E como não existe uma política habitacional adequada para as pessoas atingidas por barragens, é muito comum que essa população more nas periferias do país.

“Mineração tem muito a ver com o tema da cidade. E isso tem levado o MAB a se preocupar cada vez mais com a questão urbana. Quando se constrói uma hidrelétrica, por exemplo, a gente tem uma mercantilização do território, que tem colocado cada vez mais a população brasileira em uma condição de miséria. Eles produzem uma mercadoria, que é vendida, e todas as garantias dessa venda é feita em cima da exploração da população. No caso do setor elétrico, o trabalhador brasileiro paga 25 vezes mais do que os setores industriais que são subsidiados. Todos os riscos dessa venda são colocados na conta de luz do consumidor cativo, que somos nós, explicou.

Para o geógrafo Yuri Paulino, a lógica do capitalismo não permite que a população brasileira tenha direito à cidade. Ele destaca que esse modelo precisa ser combatido por meio da luta popular embasada em mudanças profundas da sociedade.

Experiências CMP
Após o debate com especialistas na primeira etapa do seminário, militantes e dirigentes da CMP fizeram exposições de projetos que levam trabalho, renda e formação profissional, além de alimentos saudáveis e ações de conscientização ambiental, a diversas regiões do país. Em sua maioria, as experiências surgiram no contexto da pandemia e a expectativa é de expandir cada vez mais alternativas para a luta contra o capitalismo que está levando o povo brasileiro à miséria.

Raimundo Bonfim ressalta que por meio da organização dos movimentos populares muitas famílias tiveram acesso a alimentação saudável com a implantação, por exemplo, de hortas e cozinha comunitária. Nos últimos dois anos, a CMP distribuiu 320 toneladas de alimentos em todo o país. Outras iniciativas da CMP como fábrica de tijolos ecológicos, curso profissionalizantes, também viraram realidade em comunidades e estão levando solidariedade àqueles que mais precisam.

“Esse estímulo de organização continuará acontecendo mesmo em situações que não sejam de crise. Nós temos que conjugar isso de lavar a comida no prato das pessoas mais vulneráveis”, finaliza.

CMP e ONG Girassol levam curso de confecção de bolsas e sandálias às mulheres de baixa renda no Pará


Um projeto da Central de Movimentos Populares (CMP) e da ONG Girassol, em parceria com a Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda do estado do Pará, formou 24 mulheres neste mês de abril em um curso gratuito de confecções de bolsas e sandálias no município de Ananindeua. A ação foi destinada às paraenses de baixa renda, que vivem em situação de vulnerabilidade social.

Marilda Cohen, militante da CMP no estado do Pará, explica que durante 30 dias mulheres, em sua maioria, desempregadas, vítimas de violência doméstica e mães solo, tiveram a oportunidade de aprender a produzir os produtos e, agora, estão aptas a ingressar no mercado de trabalho. “Foi uma experiência incrível. Além do curso, tivemos neste período rodas de conversa sobre os direitos e deveres das mulheres. Discutimos também a conjuntura política, social e econômica do nosso país e do estado do Pará”, disse.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego das mulheres ao final do ano passado foi 54,4%, maior do que a dos homens. Dos 12 milhões de brasileiros desempregados, 6,5 milhões são mulheres e 5,4 milhões, homens. Para Regina Baía, representante da ONG Girassol, o curso de confecções de bolsas e sandálias vai fortalecer as mulheres de Ananindeua e a economia local. “Nós agrademos muito essa parceria com a CMP. Chegamos ao fim do projeto, com a esperança de novos cursos para o município”.

No próximo dia 8 de maio, haverá uma feira artesanal na sede da ONG Girassol, em Ananindeua, para a venda das bolsas e sandálias confeccionadas durante o curso. “Nossa ideia é fazer essa feira ser permanente no munícipio. Assim, nossas mulheres terão um espaço exclusivo para o comércio. Estamos em busca de parceiros para concretizar mais esse projeto”, anuncia Regina.

CMP distribui 15 mil ovos de páscoa para crianças carentes



A Central de Movimentos Populares (CMP), por meio de uma parceria com a Cacau Show, realizou neste mês de abril a entrega de 15 mil ovos de páscoa para crianças e adolescentes que vivem em comunidades carentes do Estado de São Paulo. As doações dos chocolates foram feitas pelos próprios integrante do movimentos popular em periferias localizadas no Vale do Paraíba, Grande ABC, Osasco, Campinas, Alto Tietê e diversos bairros da capital capital paulista.

Para o coordenador da CMP, Raimundo Bonfim, unir forças neste momento onde muitas famílias não conseguem comprar o básico por conta da grave crise econômica é fundamental. “Nos últimos finais de semana levamos a nossa solidariedade e também o nosso amor e esperança às crianças de diversas comunidades. Foi muito gratificante ver elas recebendo os ovos e saindo com o sorriso estampado no rosto. A energia que recebemos é o nosso combustível para continuar a luta contra as desigualdades sociais”, disse.

Desde de 2020, ano em que teve início a covid-19 no Brasil, a Cacau Show passou a fazer doações de chocolates para diversas instituições nas semanas que antecedem a Páscoa. Segundo a empresa, mais de 1 milhão de ovos já foram doados para mais de 4 mil entidades socias, inclusive as que atuam em aldeias indígenas na Amazônia.

“Seguimos na luta para a construção de um país em que tenhamos condições de vida adequada, sem precisar de doação. A CMP deseja uma Feliz Páscoa a todas e todos”, destaca Raimundo Bonfim.

9 de abril: já estão confirmados 58 atos!

Neste sábado, o povo brasileiro volta às ruas de todo o país para lutar contra o governo genocida de Jair Bolsonaro, que promove uma política de desmonte dos serviços públicos, concentração de capital e violação de direitos. Confira abaixo os atos já confirmados!

✊🏾 ✊ 🚩 58 Atos confirmados em 58 cidades e 01 país – #BolsonaroNuncaMais em todo o Brasil e no Exterior 🇧🇷 🌐

(Última atualização 07/04 | 18h)
Instagram: @ForaBolsonaroNacional
Twitter: @forabolsonarona
Links: linktr.ee/campforabolsonaro
_Sistematização: Central de Mídia das Frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo, Fora Bolsonaro Nacional_

🔺 Não esqueça:
😷 Máscara (leve mais de uma)
💦 🙏🏽 Álcool em gel
🚶🏻‍♀️ 🚶🏿 🚶🏿‍♀️Mantenha o distanciamento social no ato


Norte
AC – Rio Branco – Mercado Velho | 16h
AP – Macapá – Praça da Bandeira | 16h
PA – Belém – Escadinha da Presidente Vargas | 8h

Nordeste
BA – Feira de Santana – Estacionamento em frente à prefeitura | 8h30
BA – Ilhéus – Praça do Teatro no Centro Histórico | 12h
BA – Itabuna – Praça Adami | 9h
BA – Salvador – Concentração no Campo Grande | 14h
CE – Fortaleza – Praça Portugal | 15h
MA – Imperatriz – Calçadão, Centro | 9h
MA – Santa Inês – Praça das Laranjeiras | 8h
MA – São Luís – Praça João Lisboa | 9h
PB – João Pessoa – Ponto dos Cem Réis | 9h
PE – Recife – Parque Treze de Maio | 9h
PI – Parnaíba – Em frente a UFDPar | 8h30
PI – Teresina – Posto 6, Jockey (Cruzamento Av. Homero com Av. Dom Severino) | 8h
SE – Aracaju – Praça de Evento dos Mercados | 8h
RN – Natal – Praça Gentil Ferreira Alecrim | 8h às 12h

Centro-Oeste
DF – Brasília – Museu da República | 16h
GO – Goiânia – Praça do Trabalhador | 16h
GO – Jataí – Praça Tenente Diomar Menezes | 8h
GO – Rio Verde – Rotatória do Cristo Redentor | 9h
MS – Campo Grande – Avenida Afonso Pena c/ 14 de Julho | 9h

Sudeste
MG – Barbacena – Praça São Sebastião | 8h30
MG – Belo Horizonte – Praça Afonso Arinos | 9h30
MG – Juiz de Fora – Parque Halfel | 10h
MG – Montes Claros – Mercado Municipal | 8h
RJ – Campo dos Goytacazes – UFF Campos | 9h
RJ – Rio das Ostras – Feira do Âncora (Próx. ao Centro de Cidadania) | 8h
RJ – Rio de Janeiro – Candelária | 10h
SP – Botucatu – Praça do Bosque | 14h
SP – Carapicuíba – Calçadão da Av. Rui Barbosa | 10h
SP – Jaguariúna – Campinas Largo do Rosário | 9h
SP – Marília – Praça da Ilha, em frente a Galeria Atenas | 9h30
SP – Mogi das Cruzes – Largo do Rosário | 10h
SP – Osasco – Estação de Osasco | 12h30
SP – Ribeirão Preto – Esplanada Theatro Pedro II | 9h
SP – Santos – Estação da Cidadania, Av. Ana Costa 340 | 16h
SP – São Carlos – (aguardando infos) | 9h
SP – São Paulo – Praça da República | 14h
SP – São Vicente – Praça Barão | 10h
SP – Sorocaba – Boulevard Braguinha x Barão de Rio Branco | 9h30

Sul
PR – Cascavel – Em frente a Catedral | 9h
PR – Curitiba – Praça Generoso Marques | 14h30
PR – Foz do Iguaçu – Praça da Bíblia | 18h
PR – Turvo – Praça 31 de Outubro | 14h
PR – Umuarama – Praça Arthur Thomas | 10h
RS – Caxias do Sul – Praça Dante Alighieri | 9h30
RS – Novo Hamburgo – Praça do Imigrante | 10h
RS – Pelotas – Mercado Público | 10h
RS – Porto Alegre – Largo Glênio Peres | 15h
RS – Rio Grande – Largo Dr. Pio, Centro | 10h
RS – São Leopoldo – Estação São Leopoldo | 14h
RS – Santa Maria – Praça Saldanha Marinho | 14h
RS – Santana do Livramento – Parque Internacional | 9h30
RS – Tramandaí – Praça da Tainha | 15h
SC – Florianópolis – Largo da Alfândega | 9h
SC – Joinville – Praça da Bandeira | 14h

🌎🌍 No Exterior
🇨🇭 Suíça – Zurique – Flashmob e ato Rua ao lado da casa do Povo em frente a praça Nenhuma a Menos. Klimarkirche, Wibichstrasse 43, ZH | 17h (horário local)

Impactos da Pandemia de Covid 19 na Saúde Mental

Leia o artigo de Darly Dalva Silva Máximo, Psicóloga e Militante da CMP-DF

No final de 2019 começamos ouvir, principalmente por meio da imprensa, as primeiras notícias de um vírus mortal, o Coronavírus, que viria mais e não muito mais tarde avassalar o planeta Terra provocando um caos nas emoções da população e uma desorganização no sistema de saúde de todos os países por onde ele ia passando.  O Coronavírus teve as primeiras manifestações na China, mas enquanto por lá estava  nunca se imaginou que se tratava de um vírus devastador que viria matar milhões de pessoas em todo o mundo.

No inicio de 2020 já se tinha notícias de que, mesmo com todos os cuidados tomados pelas autoridades chinesas, o vírus se espalhava com assustadora rapidez que ficamos todos inseguros em relação ao futuro.

Em março de 2020 a OMS – Organização Mundial de Saúde declarou que o mundo estava diante de uma pandemia, a Covid 19. No Brasil ela já tinha se espalhado com tal rapidez que o meio científico já aconselhava ao governo quanto a necessidade de adotar medidas mais drásticas no controle da proliferação. O Ministério da Saúde no afã de colher o bônus político de situação, começou a incentivar a comunidade científica a desenvolver estudos para a produção de vacinas, buscando insumos da China que já estava bem adiantada e já tinha iniciado a vacinação da sua população exportando a matéria prima da mesma para que os países a produzisse, no entanto o nosso governo jogava contra e isso retardou o início da vacinação da população brasileira.

Com a evolução da pandemia e consequentemente o caos no sistema de saúde foi se instalando, tanto na rede pública quanto na privada obrigando as autoridades sanitárias realocarem recursos para combater ou pelo menos controlar a proliferação do vírus diminuindo assim os impactos na vida das pessoas e na economia do país. Os primeiros impactos foram na própria área de saúde, infectando os profissionais de saúde da linha de frente nos hospitais e a população idosa. À medida que os estudos sobre os males causados pelo vírus iam impactando na vida das pessoas o terror ia tomando conta delas e sistema de saúde teve que se adequar a uma nova realidade em detrimento de outras, por exemplo as cirurgias eletivas, a atenção primária e outras doenças crônicas, pois o sistema de saúde teve que deslocar servidores dessas áreas para a atenção nos serviços hospitalares.

Diante do caos instalado e com e a determinação de lockdown em vários estados foi inevitável que milhares de pessoas perdessem o seu emprego e ficassem isolados em casa sem poderem sair dela nem para comprar um pão na padaria e isso levou aqueles que ainda tinham seus empregos estocarem mantimentos e medicamentos evitando, assim, a exposição.

Com o isolamento das pessoas em seus domicílios, o medo do futuro e as perdas de seus entes queridos instalou-se o pavor coletivo chegando-se ao ponto de que o fato de alguém espirrar ou tossir perto de outro causava constrangimento.

Com o pavor coletivo instalado não foi difícil observar-se o aumento dos transtornos mentais provocados pela pandemia, bem como os traumas psicológicos provocados diretamente pela infecção ou por seus desdobramentos secundários.

O convívio prolongado no ambiente familiar aumentou o risco de desajustes nas relações familiares e o principal deles foi o aumento da violência doméstica onde os principais alvos foram as crianças e as mulheres. A mulheres acabaram sofrendo dupla violência porque ao defenderem suas crias automaticamente eram também violentadas. Estudos informam que houve um incremento em torno de 40% de casos de violência doméstica praticada contra as mulheres.

Como sabemos o ser humano é gregário e uma vez tolhido dessa condição reage de forma mais variada de indivíduo pra indivíduo. No início da pandemia algumas pessoas até gostaram da ideia de ficarem um pouco em casa com a família, mesmo que por officce home, mas estariam em casa. Com o passar dos meses nada se modificava e para agravar mais ainda a situação as notícias eram sensacionalistas por demais, a qualquer momento do dia que se ligasse os aparelhos de TV ou rádio o pânico estava instalado e quase como um mecanismo de defesa algumas pessoas acreditavam em tudo e outras não como forma de sobrevivência, vimos isso muito na população jovem, uma vez que alegavam que o vírus só pegava em velhos, esquecendo-se de que eles tinham familiares idosos.

Rapidamente a pandemia foi tomando conta do planeta e nos demos conta de que não eram só os idosos que estavam a serem infectados, mas jovens também até porque estavam se expondo mais e atualmente as crianças também.

Com a população mundial sendo dizimada, a comunidade científica debruçou-se em estudos para descobrir e criar vacinas mais eficazes que as demais e graças a esses esforços estamos mais confiantes, pois mesmo com as variantes do vírus que estão surgindo encontram uma população imunizada e os seus efeitos não são tão arrasadores em quem está vacinado.

Diante de todo o mal que a pandemia acarretou na população temos os sequelados e as suas reações psíquicas e como já mencionei anteriormente a depressão e a ansiedade (crises de pânico, comportamentos obsessivos compulsivos, alterações do sono e o abuso de bebidas alcóolicas e outras drogas) são as consequências mais comuns, que resultam em incapacidade para o trabalho, estudo e relações interpessoais. Embora o impacto da disseminação da pandemia para as doenças psíquicas ainda esteja sendo mensurado, as implicações dela na saúde mental já foram relatadas nos meios científico, mas continuamos nas nossas lutas por um mundo melhor.

Darly Dalva Silva Máximo

Psicóloga Clínica com Especialização de TCC – Terapia Cognitiva Comportamental

Membra do Setorial da Saúde e da Direção Nacional da CMP – Central de Movimentos Populares

Bolsonaro Nunca Mais! Movimentos populares vão às ruas neste sábado

Movimentos populares, sociais e sindicais saem às ruas no próximo sábado (09/04) para protestar contra o governo Bolsonaro. As mobilizações acontecerão em pelo menos 42 cidades e terão como tema “Bolsonaro Nunca Mais, contra o aumento dos combustíveis e do gás, não ao desemprego e à fome”.

Os protestos são fruto de uma iniciativa da Campanha Fora Bolsonaro, entidade que congrega diversos movimentos e frentes de lutas como, por exemplo, a Central de Movimentos Populares (CMP). A mobilização nacional irá denunciar nas principais ruas do país a gravidade da crise econômica, social, ambiental e cultural que assola o Brasil. (Confira abaixo uma lista parcial de locais dos atos).

Em 40 meses de governo Bolsonaro, as condições de vida da população brasileira pioraram significativamente e, por essa razão, é necessário ampliar a luta por mudanças profundas e emergenciais. Hoje, quase 60% da população brasileira não tem comida no prato. O desemprego atinge mais de 12 milhões de brasileiros. Há ainda mais de 125 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e outras 200 mil estão vivendo nas ruas por não ter onde morar.

Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP, aponta que as pessoas estão desesperadas por não conseguir mais arcar com os sucessivos aumentos na conta de luz, do gás de cozinha, dos combustíveis, dos medicamentos e dos alimentos. “O Brasil não aguenta mais a irresponsabilidade, os crimes, os horrores e a desumanidade praticada pelo governo. Bolsonaro desmantelou o país e deixará um legado de destruição para a população brasileira e os futuros governantes que o sucederão a partir do ano que vem. Não podemos aceitar que não haja alternativas para combater à fome, o desemprego, a miséria e a inflação”, aponta Bonfim.

Além de acabar com as políticas de combate à pobreza no Brasil, o governo Bolsonaro tem protagonizado muitos casos de corrupção. No mais recente, Milton Ribeiro, o então ministro da Educação, foi pego em gravações dizendo repassar verbas da pasta para municípios indicados por dois pastores a pedido do presidente. Após o caso ter ocupado as páginas do noticiário, Ribeiro pediu demissão e, para abafar o caso, rapidamente a rede bolsonarista aumentou a dose de notícias falsas na internet para criar cortinas de fumaça e desviar do assunto.

“É necessário intensificar as mobilizações de rua pelo fim deste governo genocida. É imprescindível acumular força social para enfrentar qualquer tentativa de golpe, caso decidam não aceitar o resultado das urnas eletrônicas”, ressalta.

Confira abaixo os locais das mobilizações já confirmados:

Norte
AP – Macapá – Praça da Bandeira | 16h
PA – Belém – Escadinha da Presidente Vargas | 8h

Nordeste
BA – Itabuna – Praça Adami | 9h
BA – Feira de Santana – Estacionamento em frente à prefeitura | 8h30
BA – Salvador – Concentração no Campo Grande | 14h
CE – Fortaleza – Praça Portugal | 15h
MA – Imperatriz – Calçadão, Centro | 9h
MA – Santa Inês – Praça das Laranjeiras | 8h
MA – São Luís – Praça João Lisboa | 9h
PE – Recife – Parque Treze de Maio | 9h
PI – Teresina – Praça da Liberdade | 8h
SE – Aracaju – Praça de Evento dos Mercados | 8h
RN – Natal – Em frente ao Midway | 15h

Centro-Oeste
DF – Brasília – Museu da República | 16h
GO – Goiânia – Praça do Trabalhador | 16h
GO – Rio Verde – (Aguardando Infos) | 9h
MS – Campo Grande – Avenida Afonso Pela c/ 14 de Julho | 9h

Sudeste
MG – Barbacena – Praça São Sebastião | 8h30
MG – Belo Horizonte – Praça Afonso Arinos | 9h30
MG – Juiz de Fora – Parque Halfel | 10h
MG – Montes Claros – Mercado Municipal | 8h
RJ – Campo dos Goytacazes – UFF Campos | 9h
RJ – Rio de Janeiro – Candelária | 10h
SP – Botucatu – Praça do Bosque | 14h
SP – Jaguariúna – Campinas Largo do Rosário | 9h
SP – Marília – Praça da Ilha, em frente a Galeria Atenas | 9h30
SP – Osasco – Estação de Osasco | 12h30
SP – Ribeirão Preto – Esplanada Theatro Pedro II | 9h
SP – Santos – Estação da Cidadania, Av. Ana Costa 340 | 16h
SP – São Paulo – Praça da República | 14h
SP – São Vicente – Praça Barão | 10h

Sul
PR – Cascavel – Em frente a Catedral | 9h
PR – Curitiba – Praça Generoso Marques | 14h30
PR – Umuarama – Praça Arthur Thomas | 10h
PR – Foz do Iguaçu – Praça da Bíblia | 18h
RS – Novo Hamburgo – Praça do Imigrante | 10h
RS – Pelotas – Mercado Público | 10h
RS – Porto Alegre – Largo Glênio Peres | 15h
RS – Santa Maria – Praça Saldanha Marinho | 14h
SC – Florianópolis – Largo da Alfândega | 9h
SC – Joinville – Praça da Bandeira | 14h

Vitória dos movimentos populares: Barroso estende veto a despejos no país

Os movimentos populares e os trabalhadores sem teto conquistaram, nesta quarta-feira (30/03), uma importante vitória no Supremo Tribunal Federal. O ministro Luís Roberto Barroso decidiu prorrogar a vigência da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828, que impede despejos no campo e na cidade durante a pandemia.

Para Raimundo Bonfim, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), entidade que integra a Campanha Despejo Zero, a prorrogação da medida judicial é fruto da jornada de lutas e mobilizações realizadas em todo o país contra os despejos. “A moradia é um direito fundamental para a garantia de uma vida digna e do direito à cidade. Mais de meio milhão de pessoas estavam ameaçadas de serem retiradas à força de suas casas, caso não houvesse a prorrogação da ADPF 828. Felizmente o ministro entendeu a necessidade de proteger os mais vulneráveis em suas casas em meio às graves consequências da crise sanitária”.

No despacho, o ministro destacou que a pandemia ainda não acabou, apesar da melhora no cenário com a evolução da vacinação e da redução de óbitos e de novos casos. Ele também fez um apelo para que os órgãos públicos desenvolvam políticas habitacionais a fim de evitar o aumento da população sem teto no Brasil. Esta é a segunda vez que o Barroso prorroga o prazo para suspender reintegrações e despejos coletivos urbanos e rurais.

Mesmo após a decisão do STF, o advogado Benedito Barbosa, o Dito, dirigente da CMP e um dos articuladores da Campanha Despejo Zero, ressalta que a luta dos movimentos populares do campo e da cidade por moradia seguirá firme no país. Ele participou ontem da audiência com o ministro Luís Roberto Barroso e entregou ao magistrado cartas dos trabalhadores sem teto. Questionado sobre a prorrogação do veto a despejos no Brasil, Dito conta que recebeu a notícia com muita alegria.

“Nós respiramos com a decisão do Barroso, mas sabemos que o Brasil precisa de uma alternativa definitiva para garantir o direito à moradia no campo e na cidade. Penso que a saída para a habitação está no Congresso Nacional. Os deputados têm a responsabilidade de apresentar uma regra de transição e evitar despejos no país. A união dos movimentos foi emocionante. Viva a Campanha Despejo Zero, viva a unidade popular”, finaliza Dito.

CMP participa de assembleia com mais de mil trabalhadores sem teto em SP

Em uma assembleia organizada pela Unificação das Lutas de Cortiço e Moradia (ULCM), na zona leste de São Paulo, cerca de mil trabalhadores sem teto se reuniram neste domingo (27), contra os despejos no Brasil e pela prorrogação da vigência da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828, no Supremo Tribunal Federal, que impede remoções no campo e na cidade durante a pandemia. No evento, moradores da ocupação Jorge Hereda receberam as famílias das ocupações Terra Prometida e Estrela de Davi para juntos travarem uma agenda de luta na capital paulista.

A Central de Movimentos Populares (CMP) participou do encontro e esteve representada por Raimundo Bonfim, coordenador nacional da entidade, e por Benedito Barbosa, o Dito, coordenador da CMP em São Paulo. Ambos falaram sobre a importância da ADPF 828 em um momento em que o país soma mais de 12 milhões de desempregados e vive uma inflação recorde com aumentos sucessivos dos preços dos alimentos, gás de cozinha, energia elétrica e combustível.

“No próximo dia 31 finda o prazo da medida judicial que impede despejos no país. Se o STF não prorrogar a vigência da ADPF 828 mais de meio milhão de pessoas correm o risco de serem despejadas nos próximos meses. Nós estamos aqui reafirmando o nosso compromisso com as mais de 1.500 famílias que vivem nessas três ocupações. Vamos intensificar a nossa mobilização e exigir do poder judiciário a proteção de quem não têm como pagar um aluguel neste país”, disse Raimundo Bomfim.

Fruto da mobilização realizada no último dia 17, quando milhares de sem teto foram às ruas contra despejos em todo o Brasil, na próxima quarta-feira (30) haverá uma audiência no STF com o ministro Luís Roberto Barroso, responsável pelo julgamento do novo pedido de prorrogação da ADPF 828.

“Temos uma grande expectativa com essa audiência. Ela deve ocorrer no período da tarde, no intervalo da sessão da Suprema Corte. Disposição é o que não falta pra nós. Seguiremos firmes na luta porque ocupar neste país não é uma escolha”, explicou Dito que também é coordenador da Campanha Despejo Zero.

A assembleia com mais de mil pessoas neste domingo contou ainda com a presenta da deputada estadual professora Bebel (PT), os urbanistas Kazuo Nakano e Luiz Kohara, o Jadir do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Padre Naves, da Pastoral da Moradia, além do advogado das famílias, Doutor Victor. No próximo dia 9 de abril, os movimentos populares se juntam para mais um dia de luta, com a mobilização nacional Bolsonaro Nunca Mais!

Mais de 270 famílias estão ameaçadas de despejos na região metropolitana de Campinas


Enquanto movimentos populares lutam por uma prorrogação da vigência da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828, no Supremo Tribunal Federal (STF), que impede despejos durante a pandemia, o judiciário paulista está prestes a cometer uma grande violência contra famílias que vivem no interior de São Paulo. No município de Campinas, mais de 30 famílias, que moram na Ocupação Raio de Sol, estão vivendo um verdadeiro drama com a possibilidade de serem retiradas à força de suas casas a qualquer momento.

Francisco Galvão, coordenador regional da Central de Movimentos Populares (CMP), conta que o prédio ocupado na região central de Campinas é privado, estava abandonado, sem cumprir nenhuma função social. “Ontem representantes dessa ocupação nos procuraram desesperados em busca de ajuda. Muitos estão desempregados e não têm outra alternativa de moradia. São mulheres, crianças e idosos que podem ficar sem teto se nada for feito para protegê-los. A pandemia não acabou e os mais pobres sofrem com as consequências da crise sanitária e econômica ”, conta.

A situação se repete na Ocupação Adelaide, em Hortolândia. No último dia 10 de março, a justiça do município emitiu ordem de despejo contra 245 famílias que moram no local desde 2016. “Neste caso, o juiz deu apenas 10 dias para as famílias deixarem os imóveis. Jogar essas pessoas nas ruas sem nenhuma alternativa, em meio as graves consequências da pandemia é desumano, é perverso”, ressalta Galvão.

Após um dia intenso de reunião, dados dos moradores das duas ocupações foram incluídos na Campanha Despejo Zero. A Defensoria Pública também foi acionada e, agora, as mais de 270 famílias ameaçadas de despejos na região metropolitana de Campinas contam com o apoio de advogados populares.

“Nós fizemos um trabalho de acolhimento dessas famílias. Além de buscar uma solução na justiça, estamos nos organizando para pressionar o poder público para que encontre uma alternativa habitacional para essas pessoas. As prefeituras precisam assumir o compromisso com a habitação popular e evitar o despejo dos mais vulneráveis”, explicou o coordenador regional da CMP.

*Despejos no Brasil*

No campo e na cidade, mais de 500 mil pessoas estão ameaçadas de despejo no Brasil. Nos últimos dois anos, mesmo com a vigência de diversas medidas judiciais para impedir remoções, mais de 27 mil pessoas foram retiradas de suas moradias. Apesar da violência do estado contra os mais vulneráveis, 106 despejos foram suspensos na pandemia com base na ADPF 828, evitando que mais de 22 mil famílias perdessem seus lares. Os dados são da Campanha Despejo Zero, que reúne informações sobre remoções desde março de 2020.

Para os movimentos populares que lutam por moradia no Brasil, o STF precisa com urgência prorrogar a ADPF 828, que vence no próximo dia 31 de março, para evitar uma tragédia no país e, assim, impedir que mais de 132 mil famílias fiquem sem teto no Brasil.